Para o sociólogo e cientista político Sérgio Abranches, que cunhou o termo "presidencialismo de coalizão", no final dos anos 80, seria possível, em tese, governar em minoria. Mas isso exigiria, segundo ele, uma negociação com partidos e parlamentares a cada votação. Por isso, na prática, permanece a cultura do "toma lá dá cá". Segundo Abranches, a postura permanece mesmo em casas com alta taxa de renovação, como a Câmara dos Deputados, em que 60% dos parlamentares se renovam a cada pleito.
Humberto Dantas, cientista político e professor do Insper, também não vê uma base de realidade nas propostas dos candidatos de oposição.
O cientista político Fábio Wanderley Reis, doutor pela Universidade de Harvard (EUA) e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que tal revolução só seria possível a partir de uma alteração profunda do sistema político brasileiro. "Não vejo razão para imaginar que simplesmente o resultado de uma eleição presidencial venha a alterar a estrutura de controle do poder", afirmou. "Não acredito que num próximo governo as coisas sejam significativamente diferentes." Para Wanderley, quadros e partidos estabelecidos há gerações caracterizam o sistema político no País. "O PMDB é uma partido que, em grande parte, prosperou regionalmente, montado num federalismo clientelista, e convive com o PT dependendo permanentemente de barganhas. O mesmo aconteceu com o antigo PFL durante o governo Fernando Henrique."
O histórico das legendas é apontado como obstáculo também por Abranches. Para ele, a existência de famílias e grupos de poder antigos minam os esforços de alterar o fazer política nacional. "O Brasil está voltando a um sistema quase tão oligárquico quanto a Primeira República. Os filhos dos oligarcas velhos vão subindo na política, depois vêm os netos, dominando o cenário por décadas e décadas. Não tem renovação, só cooptação", disse em entrevista ao Broadcast Político.
Marco Antônio Carvalho Teixeira, da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que valeria olhar para o histórico dos pré-candidatos, Aécio em Minas e Campos em Pernambuco, para ver se eles conseguiram diminuir as relações fisiológicas em suas gestões estaduais. Ainda assim, lembra que, no governo federal, a situação é mais difícil.