O cientista político e sociólogo Sérgio Abranches afirma que o País não precisaria necessariamente deixar o sistema presidencialista de coalizão para reduzir o fisiologismo.
Abranches sugere também vetar as coligações para eleições proporcionais e aumentar o coeficiente mínimo para eleição de cada parlamentar, o que poderia diminuir o fenômeno dos puxadores de voto e levar ao Congresso representantes mais ligados aos seus eleitorados.
Apesar de ser favorável ao parlamentarismo como sistema ideal de governo, o cientista político Fábio Wanderley Reis, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concorda que o momento da democracia brasileira não é adequado para substituir o presidencialismo em vigor. Wanderley também aposta em pequenas mudanças que poderiam elevar a qualidade da gestão governamental.
O professor acredita que poderiam ser feitas experimentações com voto em lista, que poderia incentivar uma escolha mais programática por parte do eleitor. Ele sugere ainda um aumento no rigor contra a infidelidade partidária. "É imperioso que a gente venha a fazer essas experimentações. Apesar de se falar com frequência da reforma política, há pouca discussão a respeito", afirmou Reis.
O professor Marco Antônio Carvalho Teixeira, da Fundação Getulio Vargas (FGV), defende, por sua vez, o estabelecimento da cláusula de barreira.
Já para o cientista político Humberto Dantas, do Insper, a melhoria está menos ligada a uma reforma política no curto prazo do que a um caminho de longo prazo de cultura política. "Qual reforma política? Hoje não tenho qualquer sonho ou ideal com relação a uma possível reforma", afirmou. Dantas acredita que mudar o sistema não vai ajudar a elevar a qualidade da democracia brasileira.
Dantas avalia que a proposta de barrar coligações em eleições proporcionais poderia ter um efeito indesejável ao impedir partidos pequenos de entrar no sistema. "Como diferenciar os bons dos ruins? Dizer que o Rede, de Marina, é melhor que o Solidariedade, do Paulinho da Força?", questiona ao comentar a proposta de inserir barreiras sem prejudicar o acesso de novos grupos ao poder. "Não acho que o sistema tenha a oferecer a 'grande mudança' de que nós precisamos. A gente precisa efetivamente é do eleitor consciente.".