Utilizando metodologias que levam em conta, além do crescimento econômico, fatores como a distribuição de renda, a manutenção do padrão de vida, a renda domiciliar e a percepção das pessoas sobre a qualidade de vida, a apresentação feita por Marcelo Neri destacou que, apesar da desaceleração da economia, a desigualdade social continua caindo.
Após apresentar dados econômico-sociais dos últimos dez anos e três meses, o ministro concluiu que, embora o país enfrente problemas e desafios, os últimos anos revelam uma forte transformação social. Segundo Neri, o índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, caiu de 0,64 para 0,55 entre 2002 e 2014. Quanto mais próximo de 0 está o indicador, menor é a desigualdade.
Depois do encontro, o ministro declarou a jornalistas que não tem havido, no Brasil, relação direta entre o desempenho da economia e o mercado de trabalho. Segundo ele, não é possível prever se o “descolamento” vai continuar se distanciando, nem se o mercado de trabalho tende a ser puxado para baixo ou se o crescimento da economia tende a aumentar.
“A maioria das pessoas acha que o PIB é a variável-chave que vai guiar . O Brasil tem desafiado esse prognóstico”, disse Neri. Para ele, as projeções sobre o futuro “são incertas e têm desapontado pessoas”.
Apesar de admitir que o crescimento menor da renda nos seis primeiros meses de 2013 pode ter sido uma das causas das manifestações de junho do ano passado, o ministro disse que esse é um fenômeno “muito complexo” e de “múltiplas dimensões”.
“A economia, principalmente a que importa mais às pessoas, que é o dinheiro no bolso, o trabalho, o poder de compra da renda das pessoas, de fato teve esse tropeço no primeiro e no segundo trimestre do ano passado. Os dados mostram isso com clareza. Isso em parte capta o efeito inflação. A renda real cresceu menos porque a inflação se acelerou naquele período”, explicou.
Efetivado nessa segunda-feira como titular da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri disse que os atuais dados do mercado financeiro não estão incorretos, mas são incompletos. Segundo ele, as avaliações do setor financeiro não levam em conta outras medidas de crescimento para medir o bem-estar da sociedade.
“Se o seu objetivo é tentar medir como é que vai a vida das pessoas, de fato, acho que é uma análise incompleta. Não tenho dúvida de que para o João , o que importa mais é a renda ”, declarou, depois de explicar que a renda que mais cresce no Brasil é a das pessoas não tão ricas nem tão pobres.
Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desde março de 2013, Neri disse que a ida para a Secretaria de Assuntos Estratégicos tinha sido decidida pela presidenta Dilma no final de 2013. Segundo ele, o erro na divulgação da pesquisa sobre violência contra a mulher, no mês passado, fez apenas com que a nomeação fosse adiada. Em seu lugar na presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), assume o chefe de gabinete Sergei Soares, técnico de Planejamento e Pesquisa do instituto desde 1998..