Jornal Estado de Minas

PMDB de Minas firma aliança com o PT

Presidente da legenda em Minas ignora contrários à tese de dobradinha e anuncia que será vice de Fernando Pimentel, com o empresário Josué Gomes candidato ao Senado

Juliana Cipriani

Antômio Andrade e o empresário Josué Gomes selam parceria com o PT, apesar de divergências internas no partido - Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press


Alheios à ala do partido que defende candidatura própria, o presidente do PMDB de Minas Gerais, Antônio Andrade, e o empresário Josué Gomes – filho do ex-vice-presidente José Alencar – se lançaram nessa terça-feira pré-candidatos a vice-governador e senador, respectivamente, na chapa do candidato do PT ao governo mineiro, Fernando Pimentel. A definição pela aliança com os petistas foi fechada em almoço com deputados estaduais e federais, ontem, em um restaurante anexo à Assembleia Legislativa. Enquanto isso, o outro grupo promete brigar em convenção para impedir a dobradinha.

Andrade garante ter maioria para fechar a coligação com o PT. No encontro de ontem, segundo ele, estavam oito dos 13 integrantes da executiva. “Todos os deputados estaduais e federais aqui afirmaram que querem composição com o PT. Essa é a melhor situação para os dois partidos”, avaliou, acrescentando que o partido tem muito a somar à candidatura de Pimentel. O dirigente, que vem trabalhando há meses pela indicação de vice na chapa, ressaltou que o PMDB tem muita proximidade com o PT, com quem esteve junto nas últimas eleições.

Josué disse estar honrado com a incumbência e que, confirmado o seu nome na convenção, vai batalhar pela chapa. O filho do ex-presidente José Alencar disse estar consciente de que a eleição não será fácil.
“O setor têxtil pede muita disputa, e com chinês, que não é fácil. Não tenho medo de disputa nem de trabalhar, ainda mais com a unidade que vi hoje no PMDB”, afirmou. Josué Gomes disse ainda que o estado está “sedento de mudança” e que está faltando o PMDB no Palácio da Liberdade. Relembrando o pai de Josué, o presidente do PMDB, Antônio Andrade, afirmou que quando Alencar concorreu ao Senado Federal tinha 2% de intenções de voto nas pesquisas iniciais contra 48% do adversário e mesmo assim saiu vencedor. Andrade desdenhou da candidatura do ex-governadro Antonio Anastasia (PSDB), que, segundo ele, por ser a única colocada hoje, deveria ter 100% da adesão do eleitorado.

CONTRÁRIOS O partido decide na segunda-feira se vai se juntar às caravanas do PT, que tem viajado Minas Gerais com o pré-candidato ao governo, Fernando Pimentel. Andrade disse que, em caso positivo, será a caravana das oposições, pois o PMDB não vai só participar dela, vai ajudar a organizá-la. Questionado sobre o posicionamento do presidente do PMDB municipal, Leonardo Quintão, que promete batalhar pela candidatura própria, Andrade ironizou: “Vamos conversar coisas mais importantes”.

Quintão briga com o diretório estadual e tenta reaver na Justiça a composição do PMDB municipal, que foi destituída no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Segundo Andrade, o partido está unido. “Um membro ou outro pode destoar das diretrizes partidárias, mas isso não atrapalha de forma alguma os rumos que o partido vai tomar”, afirmou. Quintão disse respeitar a posição do partido, mas promete levar à convenção a tese de candidatura própria, com o nome do senador Clésio Andrade para disputar pelo PMDB. O parlamentar garante ter “maioria folgada” para emplacar o nome. “Estamos refazendo contato com os delegados e reafirmando a intenção de candidatura própria”, afirmou Quintão, que tem, além de Clésio, o deputado federal Saraiva Felipe e o ex-senador Hélio Costa apoiando a tese.

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