A tendência é que a decisão seja a mesma a que chegou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL): é possível acrescentar novos fatos a um pedido de CPI, o que atende aos interesses do Planalto. “Se isso pode ser feito e já aconteceu em outras oportunidades, quando a CPI estava em pleno funcionamento, que dirá de uma que ainda está na fase de leitura do requerimento”, questionou Renan.
A oposição reiterou que entrará no Supremo Tribunal Federal para fazer valer os seus direitos. “Eles (a oposição) fizeram isso quando fomos votar um projeto que eu considero um dos mais importantes aprovados pelo Congresso – aquele que desestimulava a criação de partidos”, recordou Renan. “É direito da minoria recorrer”, completou.
A decisão da CCJ também servirá para organizar uma outra polêmica, desta vez no Congresso. Ontem, a base de apoio do governo protocolou um pedido de CPI mista mais ampla, com a assinatura de 219 deputados e 32 senadores.
Os dados levantados pela CPI serviram de subsídio para uma investigação em curso no Tribunal de Contas da União (TCU), cujo relator é ministro José Jorge, ex-senador e ex-ministro de Minas e Energia do governo Fernando Henrique Cardoso. Os líderes governistas não acham absurda a tática protelatória de ampliar o foco da CPI e negam que isso seja para sepultar qualquer possibilidade de investigação. “Por que o PSDB não deixa, então, que o PT instale uma CPI sobre o caso Alstom em São Paulo e depois amplia a investigação para o que quiserem?”, provocou o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Chinaglia reconhece, no entanto, que quanto mais as CPIs ou CPMIs demorarem a ser instaladas, menos tempo hábil haverá para qualquer tipo de investigação. Em junho, estão marcadas as convenções partidárias e, depois disso, os parlamentares estarão concentrados nas campanhas. “O calendário é horrível por estarmos em um ano eleitoral. Mas os partidos terão que decidir quem ficará em Brasília”, disse ele.
Pedido para investigar Vargas
O PSOL protocolou nessa quinta-feira ofício solicitando que a Mesa Diretora da Câmara abra investigação sobre o envolvimento do vice-presidente da Casa, deputado André Vargas (PT-PR), com o doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava a Jato, da Polícia Federal. “A Mesa deve solicitar formalmente a apuração do caso, que envolve acusações de tráfico de influência e vantagens indevidas, pela corregedoria”, disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). Em discurso na quarta-feira na tribuna da Câmara, o deputado disse que foi “imprudente” ao pegar emprestado um jatinho com o doleiro para viagem de férias com a família. “Eu reconheço que fui imprudente com o avião.