O teor do documento, datado do dia 8 de janeiro, foi revelado ontem (11) pelo Estado e contém, entre outros nomes, o do atual diretor de Operação e Manutenção da CPTM, José Luiz Lavorente - único entre os 15 nomes que ainda ocupa um cargo de comando da estatal de trens. O relatório da Corregedoria aponta acréscimos patrimoniais não esclarecidos, discrepâncias na lista de bens e omissão de informações em depoimentos de cinco pessoas, entre elas Lavorente. Segundo a Corregedoria, “havia discrepância entre a declaração de bens” do diretor da CPTM feito ao Estado em 2005 e a declaração que ele fez à Receita Federal.
Em nota oficial divulgada ontem (11), a CPTM informou que a própria Corregedoria enviou um documento no dia 4 de dezembro a Lavorente no qual concluía que sua “evolução patrimonial, entre 2003 e 2012, estava compatível com seus rendimentos”.
A Corregedoria detectou divergências em declarações patrimoniais de outros quatro nomes contidos no relatório: do ex-diretor de Operações do Metrô Décio Tambelli; de Ivan Generoso, ex-assessor do ex-gerente de Manutenção da CPTM Nelson de Carvalho Scaglione; de Dario Juliano Tambellini, assessor do presidente do Metrô; e de Mário Mandelli, atual assessor do gerente de manutenção de material rodante da CPTM.
Desses nomes, o Estado conseguiu contato direto apenas com Décio Tambelli. Ele também afirmou ter em mãos documentos da Corregedoria que comprovavam compatibilidade de seus rendimentos. “Tenho um documento em que a CGA diz que está tudo em ordem. Não entendo absolutamente nada o que está acontecendo”, disse o funcionário do Metrô, já afastado do cargo.
Nelson Scaglione também está entre os nomes mencionados no relatório da Corregedoria.
Também citado no relatório, Pedro Benvenuto, já afastado de seu cargo na secretaria executiva de Parcerias Público-Privadas da Secretaria de Planejamento, afirmou por meio de seu advogado “não ter qualquer relação de sua função com as ditas irregularidades investigadas”. No período quando teria operado o cartel, Benvenuto era diretor de Planejamento da CPTM. Segundo sua defesa, ele “apenas assinou o contrato” de um dos consórcios sob investigação.
A reportagem não conseguiu contato com os demais funcionários do Metrô e da CPTM mencionados no relatório. Procurada, a assessoria do Metrô também não se manifestou.
Nessa terça-feira (11), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que vai afastar todos os funcionários da CPTM e do Metrô envolvidos no caso do cartel e que ainda não foram afastados. “Eu não recebi ainda (o relatório da CGA). Mas recebendo, nós vamos tomar todas as providências. A maioria (dos citados no documento) já foi afastada. Se tiver alguém que não estiver, vai ser afastado”, afirmou, em evento no Palácio dos Bandeirantes. .