Duas semanas depois, a Procuradoria Geral da República (PGR) ofereceu a denúncia contra 40 réus ao Supremo Tribunal Federal (STF), disparando a movimentação de Pizzolato. “Ele trabalhou com planos A, B e C”, admitiu Alexandre Teixeira, após questionamentos do Estado de Minas sobre a venda dos imóveis. O ex-diretor do BB ainda acreditou que pudesse ser inocentado, mas não deixou de se preparar para o extremo, a cadeia. E dela escapar. Petistas ouvidos pela reportagem descreveram Pizzolato como uma pessoa meticulosa, disciplinada e excelente estrategista.
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Na lista, está incluída uma cobertura em Copacabana, adquirida em fevereiro de 2004 por R$ 400 mil (hoje avaliada em R$ 3,5 milhões), 35 dias após receber os R$ 326 mil. À Receita, além dos imóveis, ele declarou cerca de R$ 500 mil em investimentos (incluídos R$ 100 mil em nome da mulher, sua dependente na declaração) e R$ 81 mil em dólares e euros. Seria o correspondente a ter atualmente R$ 1 milhão em conta e em moeda estrangeira.
Partilha Em abril de 2006, Pizzolato e a mulher, Andrea, foram parte num processo judicial de partilha de bens, na 4ª Vara de Família do Rio. O casal teria se separado e se reconciliado logo depois. Andrea está com Pizzolato na Itália. Na partilha, homologada em dezembro de 2006, ela ficou com três dos imóveis mais valiosos, avaliados hoje em cerca de R$ 6 milhões: uma casa e um apartamento em Florianópolis, além de um duplex de 158 metros quadrados em Copacabana, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, Pizzolato vendeu três apartamentos: dois em Curitiba e um em São Leopoldo. Outros dois, também no município gaúcho, foram transferidos a terceiros em 2009.
Passos no exterior
Enquanto desmobilizava o próprio patrimônio, entre 2006 e 2012, Henrique Pizzolato passou a maior parte do tempo no exterior. A justificativa foi amparar uma sobrinha, filha da irmã, que morava no Sul da Espanha, com problemas de saúde e em tratamento. Foi nesse período que ele providenciou a cidadania italiana e obteve uma identidade como cidadão daquele país, além de passaporte estrangeiro, em 2010. Em novembro de 2012, Pizzolato entregou ao STF os dois passaportes que tinha, o italiano e o brasileiro. Assim, ele afastou eventual suspeita de que pudesse fugir, o que terminou fazendo.