A presidente Dilma Rousseff avalizou nessa quarta-feira o acordo firmado pelo vice-presidente Michel Temer com os líderes aliados do Congresso e abriu espaço para a votação do Orçamento de 2014 ainda este ano. A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, avisou nessa quarta-feira ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que não vai vetar o dispositivo da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que implanta o Orçamento impositivo já no ano que vem – medida que obriga o Executivo a pagar todas as emendas individuais apresentadas pelos parlamentares. Em troca, a presidente exige a votação da peça orçamentária do próximo ano, garantindo os recursos para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em ano eleitoral.
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“Eu já vi, várias vezes, o Congresso decidir votar um orçamento de um dia para outro, a partir da formulação de um acordo. Vamos aguardar”, disse ontem o vice-presidente Michel Temer, durante café da manhã com jornalistas. Poucas horas depois, o governo conseguiria a primeira vitória na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O Planalto conseguiu aprovar, da forma como queria, as duas PECs desmembradas da proposta original do Orçamento impositivo: a obrigatoriedade de aplicação de repasse de 15% da receita corrente líquida para a saúde e o pagamento obrigatório das emendas parlamentares.
À tarde, parte dos relatórios setoriais foi lida na Comissão Mista de Orçamento. “Temos que saber se Dilma concorda com os termos do acordo. Temer está com medo de bancar a proposta e ser desautorizado pela chefe depois”, ironizou um integrante da base de apoio do Congresso. Temer conversou diversas vezes com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e a ministra Ideli Salvatti durante a viagem à África do Sul para participar dos funerais de Nelson Mandela.
Nessa qurat-feira, Henrique afirmou que não há tempo hábil para votação do Orçamento impositivo ainda este ano. Pessoas próximas a ele lembraram que as negociações em curso sinalizaram um sinal de respeito mútuo nas relações entre Congresso e Executivo: parlamentares firmariam o compromisso de votar o Orçamento de 2014 ainda este ano – se possível, na terça-feira, antes do Natal – enquanto a presidente sinalizaria que não vetaria dispositivos da LDO.