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PF age contra suspeito de 'operar' propinas da DeltaDelta diz ter sido "surpreendida" com operação da PFDelta teria desviado R$ 300 mi para empresas fantasmasPF cumpre mandados de busca e apreensão na DeltaSubsidiária da Delta usa 'atalho' para vencer licitaçõesCGU suspende inidoneidade da Delta e subsidiáriaSubsidiária da Delta tenta reverter na Justiça declaração de inidoneidadeLicitação liderada por empresa ligada à Delta é barradaA Técnica faz parte do Plano de Recuperação Judicial da Delta, uma das principais empreiteiras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), declarada inidônea pela Controladoria-Geral da União (CGU) por suspeita de ligações com o empresário de jogos de azar Carlinhos Cachoeira e fraudes em licitações do governo federal - após a sanção, a Delta já faturou R$ 877 milhões em contratos com a União, 12 Estados e o Distrito Federal.
Por meio da Técnica, a Delta tenta ampliar seus negócios para São Paulo, onde mira super contratos do governo estadual. Sua mais ambiciosa meta é uma concorrência internacional de R$ 3,8 bilhões do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), vinculado à Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do governo Geraldo Alckmin (PSDB). A licitação, segundo o DAEE, está na fase de “análise do plano de negócios” e não ingressou na habilitação. Na Justiça, concorrentes da Técnica defendem a extensão da inidoneidade da Delta para a sua subsidiária.
A inspeção da PF nos domínios da Técnica, à Rua Renato Paes de Barros, no Itaim-Bibi, foi autorizada pela Justiça Federal no Rio, onde fica a Delta. No mandado de busca que subscreveu, o juiz Eduardo de Assis Ribeiro Filho determinou diligência “na filial da empresa Delta”, incluindo procedimento de perícia contábil financeira.
Controle interno
O juiz ordenou à Delta que “facultasse o acesso a todos os documentos armazenados em sua filial em São Paulo, inclusive os referentes às demais empresas do grupo econômico, vinculadas à ela e ao seu presidente (Fernando Cavendish, também alvo da Operação Saqueador)”.
O juiz mandou que fosse providenciada uma “sala compatível para que os peritos realizassem a análise da contabilidade da empresa”. Os auditores examinaram todos “os documentos e dados armazenados tanto em meio físico quanto digitalmente, inclusive sistemas eletrônicos contábeis, de custo, de controle interno”. Eles puderam fazer cópias e apreensões.
No dia 2, o delegado Tacio Muzzi, coordenador da Operação Saqueador, comunicou à Justiça que os mandados foram cumpridos “na Delta Construção e na Técnica Construções”. Muzzi anotou. “Cumprida perícia in loco, já encerrada.”
Em nota, a Técnica declarou, nesta quarta. “De acordo com informação da própria Polícia Federal, o alvo da Operação Saqueador era a Delta Construção, e não a Técnica. Esta última, constituída em fevereiro deste ano, dentro do Plano de Recuperação Judicial da controladora, está em fase de estruturação e não detém ainda nenhum contrato.”