Brasília – O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a ex-senadora Marina Silva encontram-se hoje, em São Paulo, para a primeira reunião de trabalho após a aliança formalizada no último sábado. Os dois tentarão afinar os próprios discursos para evitar divergências. Ontem, o presidente do PSB negou qualquer atrito com a nova correligionária, que se filiou à sigla socialista no fim de semana. “Neste momento, aqueles que estão incomodados com o surgimento de um caminho, de uma aliança que voltou a animar a política brasileira, procuram, de todas as formas, atrapalhar essa construção. Uma dessas formas é imaginar que vão me jogar contra Marina e Marina contra mim, o que é impossível”, declarou Eduardo a uma emissora de rádio.
Leia Mais
Entrada do PSB na disputa é boa para todos, diz Marina"Não sou militante do PSB", diz Marina em entrevista exclusivaPara Aécio, aliança de Campos com Marina mostra a fragilidade do governoDilma não comenta aliança Campos-Marina após solenidadeMarina e Campos evitam definir chapa para eleições 2014Além da polêmica em torno de quem estará em melhor posição nas pesquisas de opinião em junho do ano que vem — hoje, a vantagem de Marina sobre Eduardo é significativa (20% contra 6%) —, os aliados terão que discutir os cenários estaduais e acertar os ponteiros para elaborar um programa consensual em pontos atualmente antagônicos, como sustentabilidade e desenvolvimento.
O tom do discurso também precisa ser dosado. O PSB, apesar de ter rompido com o governo federal, esteve ao lado de Dilma Rousseff durante três dos quatro anos de gestão, além dos oito anos do governo Lula. Marina, como lembraram aliados de Eduardo, abandonou Lula e o PT em 2009. “O nosso compromisso ético e programático com o atual governo é muito maior do que o de Marina. Nossas críticas precisam ser mais amenas”, disse um aliado de Eduardo.
Para o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, a aliança entre Eduardo e Marina, apesar da necessidade de aparar todas as arestas e contradições partidárias, foi positiva para os dois lados. No caso de Marina, ela voltou a ser partícipe do processo eleitoral. Para os socialistas, tirou a legenda do jogo de empurra em que estava entre tucanos e petistas. Segundo ele, o encontro de hoje será importante porque começará a dar as diretrizes para o programa conjunto de governo. Está previsto também um encontro de Eduardo e Marina com os empresários e economistas que apoiam a Rede.
NOVA ESTRELAO PSB apresenta hoje a propaganda partidária reformulada para incluir a aliança com a Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva. Os marqueteiros optaram por selecionar trechos da entrevista coletiva em que ela e Eduardo Campos anunciaram a parceria, no último sábado. Cerca de 30% dos 10 minutos da propaganda partidária são dedicados à aliança. Foi montada uma espécie de jogral, intercalando trechos do discurso dos dois políticos, para mostrar que há afinidade entre eles. “Eu queria dizer que o momento é – com esse gesto de luta e com o teu gesto que nos acolhe – não para pleitear uma candidatura, mas para apresentar contigo um programa para a sociedade brasileira que seja capaz de fazer o realinhamento histórico, de sepultar de vez a Velha República”, diz Marina, olhando para Eduardo. No encerramento do vídeo, ela ainda declama uma poesia.
Na conversa marcada para hoje com o governador Eduardo Campos, a ex-senadora Marina Silva e integrantes da Rede Sustentabilidade questionarão formalmente o apoio à pré-candidatura do deputado federal Ronaldo Caiado (DEM) ao governo de Goiás nas eleições de 2014. Por meio de nota, o deputado criticou a indisposição da ex-senadora. “É preocupante que alguém que postula a Presidência da República seja intolerante e hostil exatamente ao setor mais produtivo da economia”, afirmou. O deputado ressaltou que sempre apoiou Campos e rejeitou o rótulo de opositor das causas ambientais: “Essa ideia de ‘inimigo histórico’ é antiga, retrógrada e preconceituosa”.