Jornal Estado de Minas

Agência do governo dos EUA rastrearam a Petrobras

Novas denúncias revelaram que a maior empresa do Brasil também foi espionada pelos Estados Unidos

Renata Tranches
Brasília – Enquanto o governo brasileiro aguarda as explicações dos Estados Unidos sobre a espionagem direta das comunicações da presidente Dilma Rousseff, esperadas para quarta-feira, novas denúncias feitas nesse domingo pelo programa Fantástico revelaram que a maior empresa do Brasil, a Petrobras, também foi espionada. Documentos vazados pelo ex-colaborador da Agência de Segurança Nacional (NSA) Edward Snowden ao programa mostraram que a rede privada de computadores da Petrobras foi alvo do serviço secreto dos EUA. Os documentos foram repassados ao jornalista e ativista americano Gleen Greenwald, que vive no Rio de Janeiro. Na audiência pública no Senado de que participou no início de agosto, ele já havia declarado que o interesse do serviço secretos americano não dizia respeito apenas à segurança, mas também a disputas comerciais e industriais dos EUA.
Segundo a reportagem veiculada ontem, nos slides utilizados pela NSA em uma apresentação durante um treinamento feito em maio do ano passado o nome da petroleira brasileira é citado várias vezes em exemplos de como ocorre o procedimento. O objetivo seria o acesso a esse tipo de rede usada por empresas para guardar informações sigilosas. A empresa Google, o Ministério das Relações Exteriores da França e a rede do Swift, cooperativa que reúne mais de 10 mil bancos, também são citados. De acordo com a reportagem, para cada alvo é criada uma pasta onde são armazenados dados das comunicações interceptadas e os endereços de IP, a identificação de computadores ligados à rede privada que “deveria estar imune aos ataques”.

Procurada pelo Estado de Minas, a Petrobras informou, pela assessoria de imprensa, que não comenta o assunto. O Planalto e o Itamaraty também não se pronunciaram. O Fantástico afirmou que, em nota, a NSA negou usar sua “capacidade de espionagem internacional para roubar segredos comerciais de companhias estrangeiras para dar vantagens competitivas a empresas americanas”.

Coincidentemente, na recente visita que fez ao Brasil, em maio, o vice-presidente americano, Joe Biden, cumpriu uma agenda focada em energia. Sua primeira parada foi o Rio de Janeiro, onde visitou os laboratórios do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), unidade da Petrobras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No local, ele se encontrou com a presidente da empresa, Graça Foster. Já em Brasília, um dos convidados no almoço oferecido pelo Palácio Itamaraty foi o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. Mesmo Obama, em sua visita ao Brasil em 2011, destacou a importância das novas e grandes descobertas de petróleo no país.

Em 19 de julho, o próprio Biden ligou para a presidente Dilma para dar explicações após as primeiras denúncias de espionagem contra o país e lamentou a repercussão negativa do caso. O Brasil, segundo as reportagens de Greenwald, teria sido um dos alvos prioritários do serviço secreto americano. Na quinta-feira, durante a cúpula do G-20 em São Petersburgo (Rússia), Dilma e Obama tiveram um encontro privado para tratar do assunto. A presidente declarou, antes de deixar a Rússia, que depende agora do americano – que prometeu investigar as alegações apresentadas pela imprensa –  criar as “condições políticas” para sua visita de Estado, a única oferecida pela Casa Branca este ano.