Jornal Estado de Minas

Alunos dos colégios Militar e Tiradentes não vão marchar este ano na Afonso Pena

Decisão do Exército e da PM é para preservar os jovens de possíveis manifestações violentas nas ruas

Maria Clara Prates

Protesto em junho no Centro da capital mineira. Assessoria da PM diz que corporação está preparada para garantir segurança - Foto: Leandro Couri/EM/D.A Press - 16/6/13
O receio de que se repitam manifestações violentas como as que ocorreram em junho, durante a Copa das Confederações, retirou do desfile de 7 de Setembro, em comemoração à independência do Brasil, a tradicional participação de alunos dos colégios Militar, mantido pelo Exército, e Tiradentes, da Polícia Militar (PM). O tenente-coronel Alberto Luiz Alves, assessor de Comunicação da PM, admitiu ontem que a ausência dos estudantes do Tiradentes, entre outras razões, é uma forma de preservar os jovens.

“O Exército decidiu que os alunos do Colégio Militar não participariam, em razão da necessidade de reforço escolar. Com isso, também decidimos que nossos estudantes vão apenas participar do hasteamento das bandeiras durante a solenidade, evitando a presença em caso de manifestação”, disse. Por sua vez, o assessor de Comunicação Social do Exército, tenente-coronel Messeder, afirmou apenas que a ideia foi “aventada”. Alunos do colégio mantido pela PM afirmaram, porém, que a informação de que não participarão do desfile foi transmitida de sala em sala. A cada ano, entre 250 e 300 alunos do Tiradentes participam do 7 de Setembro em Belo Horizonte.

A possibilidade de novas manifestações no sábado, cujos indícios já pipocam a partir de mobilização nas redes sociais, foi incluída no planejamento da segurança na cidade, de responsabilidade da Polícia Militar, de acordo com o assessor. Segundo Alberto Luiz, não é possível revelar dados sobre o número de homens que serão mobilizados, não só para o desfile, como também para a segurança dos que assistem ao desfile e dos manifestantes pacíficos. “Como ocorre em todo grande evento nacional, as manifestações populares foram contempladas em nosso planejamento. Estamos preparados para garantir a tranquilidade para o desfile, para os cidadãos que vão assistir e para os manifestantes, independentemente da sua ideologia. Afinal estamos comemorando a liberdade”, explicou. O tenente-coronel Alberto Luiz ressaltou, no entanto, que a estrutura de segurança montada não diferencia muito de outras comemorações, como o 21 de abril. “Nessas datas sempre temos manifestações populares”, justificou o militar.

Grito

Até agora, a manifestação programada para sábado que ganha mais volume, com reforço de outros movimentos sociais que participaram dos protestos de junho, é o Grito dos Excluídos, que este ano está marcado para acontecer sob o Viaduto Santa Tereza, no Centro da capital. Outra manifestação, batizada de Operação 7 de Setembro, marcada para várias cidades do Brasil, será realizada na Praça Sete, em defesa do fim do voto obrigatório e da prisão imediata dos condenados no escândalo do mensalão. De acordo com o assessor da PM, a corporação estará participando da comemoração cívica como “uma instituição democrática e fardada”, mas vai garantir a segurança de todos aqueles que estiverem comemorando a democracia. (Colaboraram Leonardo Augusto e Felipe Canêdo)