As manifestações de rua, segundo ele, foram só o começo. A verdadeira "revolução", diz o fotógrafo, será a criação de uma democracia digital.
"Há anos a gente está gritando na internet e ninguém escuta, porque o governo não sabe nem abrir o Facebook", afirma Thodoro, de 34 anos.
"Os políticos estão perdidos porque não entenderam que a praça pública não é em Atenas, é na internet. Por isso a gente foi pra rua, para eles aprenderem a respeitar essa voz."
O fotógrafo não está sozinho. As massas voltaram para casa e o clima tenso das manifestações já arrefeceu nas ruas da capital paulista, mas os jovens ativistas da era digital continuam a chamar os políticos para a briga na internet, debatendo nas redes sociais, organizando eventos e assinando petições online. "Se o governo conversasse com a gente onde nós estamos, ninguém precisaria ir à rua para se manifestar", diz o amigo Pedro Soler, escritor de 23 anos. "Ninguém quer tomar o poder nem fazer guerra civil. Queremos ter voz e queremos ser ouvidos, apenas isso."
O sistema atual de participação popular na política está longe de satisfazer aos anseios das novas gerações, que vivem conectadas à internet 24 horas por dia, via laptops, tablets e smartphones.
"Ninguém aguenta mais esperar quatro anos para apertar uns botões e eleger alguém que supostamente vai falar em nosso nome por mais quatro anos. Eu quero dar minha opinião todos os dias, a hora que eu quiser", diz Theodoro. "O que temos hoje é uma democracia analógica tentando dialogar com uma geração digital."
A única maneira de acalmar as ruas, dizem, é digitalizar a democracia. Para isso, propõem a criação de uma "praça pública digital" - o Fórum Cidadão -, na qual a população poderia debater e votar assuntos de interesse nacional. Algo como um híbrido de Avaaz (comunidade de petições online) e Facebook, só que com validade política e jurídica, de modo que os debates e votações realizadas ali tivessem influência direta na formulação de políticas públicas.
Na prática, seria uma plataforma online para realização de plebiscitos e referendos, com computadores e smartphones no lugar das urnas eletrônicas. "Qualquer pessoa com acesso à internet teria uma voz no Congresso", diz Theodoro.
Seja qual for o sistema operacional, a ideia de uma "democracia digital" já conta com apoio de figuras importantes.
Várias fontes ouvidas pelo Estado disseram que a proposta não só é viável, como desejável. Entre elas, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinicius Coelho.
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