Embora seja ligado à cúpula nacional do PSB, até porque ocupa a Secretaria Especial da legenda, Júlio Delgado seria alvo de resistências porque é próximo ao PSDB – partido que deverá enfrentar nas urnas na disputa presidencial. O PSB deve lançar o nome do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para a sucessão de Dilma Rousseff (PT), e o PSDB, o do senador Aécio Neves, que no dia 18 assumiu o comando nacional da legenda.
Oficialmente, integrantes da executiva nacional dizem que não há pressa para a definição do novo comando do PSB mineiro, mas internamente é um assunto que preocupa, já que Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e há o desejo de que o partido seja comandado por alguém que tenha a mesma linha de pensamento da direção. Isso porque Walfrido é ligado à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Lula, de quem foi ministro do Turismo e de Relações Institucionais, e teria dificuldade em enfrentar o PT nas urnas.
PALANQUE Além disso, o PSB quer um nome forte para disputar a sucessão do governador Antonio Anastasia (PSDB) e ainda garantir um bom palanque para Eduardo Campos no estado. E o indicado seria o prefeito Marcio Lacerda. “Não vamos ficar cobrando dele uma resposta (sobre ser presidente do partido e candidato a governador). Mas é preciso que se defina rapidamente para a dinâmica das articulações”, disse um membro do diretório nacional do PSB, que nega que tenha expirado ontem o prazo para o prefeito responder.
No meio do imbróglio, uma alternativa já discutida é a apresentação da candidatura a governador do deputado federal Leonardo Quintão, que estaria disposto a deixar sua atual legenda, o PMDB, e se filiar ao PSB para disputar o Palácio da Liberdade. O destino de Quintão ainda depende de uma resposta de Lacerda, que, segundo aliados mais próximos, só virá no ano que vem. Se for disputar as eleições, ele terá que renunciar ao mandato de prefeito, deixando a vaga para o vice Délio Malheiros (PV).