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Segundo ela, a liberdade religiosa é um dos direitos humanos consagrados na Constituição, mas não justifica posições fundamentalistas. No seu discurso de abertura do seminário, ela dedicou alfinetadas a Feliciano. "A dignidade e a incolumidade da pessoa humana devem ser protegidas diante da violência de Estados ou dos fundamentalismos", disse ela. E acrescentou: "Nós não podemos desconhecer que esse encontro ocorre num momento em que o fundamentalismo de diferentes matizes e estruturas encontra-se mobilizado no mundo contemporâneo".
Seu discurso foi interrompido por aplausos e alguns gritos de "fora Feliciano" na plateia. O seminário termina nesta sexta-feira (5), com um relatório sobre proteção aos direitos das comunidades LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e travestis). Estão presentes representantes de vários países e convidados especiais, entre os quais a diretora do Centro Nacional de Educação Sexual de Cuba, Mariela Castro, filha do presidente cubano Raul Castro e militante da causa LGBT.
Teses reacionárias
Maria do Rosário defendeu a aprovação de projeto de lei, em tramitação no Congresso, que criminaliza a homofobia, nos mesmos moldes do que ocorreu com o racismo. "Para enfrentar discursos antidemocráticos que justificam a violência de caráter homofóbico, é preciso que o Estado brasileiro aprove a lei e afirme que o enfrentamento à homofobia é igual à defesa da democracia", disse ela. "A religiosidade livre é um direito humano que a Constituição assegura e nós aspiramos que eles (os religiosos) somem conosco para defender os direitos de todos no Brasil".
Coube ao deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG), membro da comissão e também presente ao seminário, disparar as críticas mais contundentes ao pastor. "Um colegiado dedicado às minorias agredidas, a comissão de Direitos Humanos de repente foi usurpada por pessoas de concepções opostas", afirmou. "A defesa das minorias de repente foi entregue a pessoas que pregam a intolerância e o ódio. As teses reacionárias e as aberrações que ele (Feliciano) defende o tornam inabilitado ao cargo", acrescentou. "Não se trata de luta religiosa, mas de uma pessoa errada no lugar errado".