Jornal Estado de Minas

Deputado emprega na Assembleia de Minas vereadores de Lavras

Um dos dois vereadores é presidente da Câmara Municipal

Juliana Cipriani

O deputado estadual Fábio Cherem (PSD) emprega em seu gabinete na Assembleia Legislativa dois vereadores da Câmara Municipal de Lavras, município distante 240 quilômetros de Belo Horizonte. Um deles é ninguém menos que o presidente da Casa. Majoritário na cidade do Sul de Minas, onde teve mais de 20 mil votos, o parlamentar tem ainda em seus quadros a mulher de outro parlamentar lavrense. Os três foram nomeados em 3 de janeiro para jornadas de quatro horas diárias.


Antonio Marcos Possato (PTB) ocupa o terceiro cargo na linha de sucessão municipal de Lavras. Por ser presidente da Câmara, é ele quem assume a prefeitura caso o prefeito e o vice se ausentem. Isso se não estiver em Belo Horizonte, onde sua posição é bem menos pomposa. Na capital ele é supervisor de gabinete II de Fábio Cherem e recebe pelo cargo R$ 2.635,84. A folha de pagamento da Câmara garante a ele um salário de R$ 6.903.
O presidente do Legislativo de Lavras fez carreira no gabinete de Cherem antes de ser vereador. Herdado do gabinete de outro deputado, foi nomeado a primeira vez em fevereiro de 2011, quando o parlamentar chegou ao Legislativo. Desde então, foi mudando de cargos e em junho do ano passado foi exonerado para concorrer à Câmara. Na época, trabalhava oito horas diárias como secretário de gabinete, cargo para o qual hoje se paga R$ 3.746,51.

Outro que ganha mais como vereador atualmente é Ânderson Marques (PV), que também tem vencimento de R$ 6.903 em Lavras. No gabinete de Fábio Cherem, ele está lotado como auxiliar de gabinete I, quatro horas, para o qual o salário é de R$ 1.397,83. Mesmo salário e cargo tem a funcionária Magda Padua Pereira Costa, que não é vereadora em Lavras, mas mulher de um parlamentar, Daniel Costa (PSDB).

Os dois vereadores empregados no gabinete de Cherem estão muito bem cotados em Lavras. Eles foram os que tiveram as maiores votações em outubro: Possato com 1.285 votos e Ânderson Garçom, como registrou seu nome de urna, com 1.174. Para trabalhar em Belo Horizonte, os vereadores, que são lotados em cargos com carga horária de quatro horas, gastam cerca de três horas para ir e três para voltar.

A Constituição federal permite que os vereadores tenham outros empregos, “havendo compatibilidade de horário”. Em Lavras, as sessões são realizadas semanalmente, sempre às segundas-feiras. Vereadores que ocupem algum outro cargo público quando eleitos têm a opção de se afastar da função e escolher a remuneração. O Estado de Minas procurou os vereadores e o deputado Fábio Cherem no início da noite mas não conseguiu contato nos gabinetes e celulares.