No depoimento, prestado em 24 de setembro à Procuradoria-Geral da República, Marcos Valério afirmou ter depositado cerca de R$ 100 mil na conta da empresa Caso, de propriedade do ex-assessor da Presidência da República Freud Godoy, uma espécie de "faz-tudo" de Lula em seu primeiro mandato. Na ocasião, o Supremo Tribunal Federal já estava votando o processo do mensalão - Valério já havia sido condenado como o operador do esquema de pagamento de parlamentares. O procurador-geral optou, na época, por adiar uma decisão sobre o destino do caso a fim de que o julgamento fosse concluído.
Ao deixar o governo, Lula perdeu o direito ao foro privilegiado, ou seja, deixou de ter a prerrogativa de ser investigado e processado perante o STF. Por esse motivo, Gurgel decidiu remeter o depoimento de Valério para análise pelo Ministério Público Federal que atua na primeira instância da Justiça. O Estado de S. Paulo revelou em 9 de janeiro que o caso seria investigado pela primeira instância. O ex-presidente classifica o depoimento de Valério como "mentiroso".
Recebido o relatório de Gurgel, os procuradores designados para o caso abrirão uma investigação preliminar. Se concluírem que há indícios de que o ex-presidente se envolveu com crimes, eles deverão pedir a abertura de um inquérito. Numa fase posterior, se existirem provas, poderá ser aberto um processo criminal.
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Acusação contra Lula vai ao MP essa semana, Gurgel Petistas descartam a possibilidade de Lula disputar as eleições de 2014O STF informou ontem que o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, terminará nesta segunda-feira a parte dele no acórdão do julgamento do mensalão, que é o documento que oficializará a decisão sobre o processo.
Eventuais recursos ou prisões dos 25 réus condenados no processo do mensalão somente poderão ocorrer após a publicação desse acórdão. Mas o documento apenas poderá ser divulgado depois que todos os ministros que participaram do julgamento revisarem e liberarem seus votos. Não há previsão de quando isso ocorrerá.
Além das penas fixadas pelo STF, os réus poderão questionar outros pontos do julgamento, como o que definiu a perda automática dos mandatos dos parlamentares condenados. Esse tema é bastante polêmico e já provocou discussões entre integrantes do Legislativo e do Judiciário.
Na sexta-feira, na cerimônia de abertura do ano judiciário no STF, Barbosa afirmou que os Poderes têm de conviver em harmonia para assegurar a concretização de direitos e garantias constitucionais. "A plena vigência do estado democrático de direito implica uma separação de Poderes equilibrada e em pleno reconhecimento da independência e da autoridade da Justiça. Não há democracia sem Justiça forte e sem juízes independentes", disse. Presente à solenidade, o vice-presidente Michel Temer afirmou que "a última palavra sobre o Estado é do Judiciário".