Os ocupantes da Mesa Diretora tradicionalmente são escolhidos pelo princípio da proporcionalidade, previsto na Constituição, que divide os cargos de acordo com a quantidade de senadores de cada partido. Assim, o PMDB, maior bancada da Casa, teria direito à Presidência. Porém, houve dois entendimentos sobre proporcionalidade para a definição da Terceira Secretaria.
Parte dos senadores defendeu que a proporcionalidade não deveria ser contada pelo número de parlamentares eleitos, mas levar em conta mudanças como a criação do PSD e a morte de Itamar Franco (do PPS) – que fez o PDT ganhar mais uma vaga no Senado, com Zezé Perrella (MG). Outros propuseram que deveria ser seguida a composição da Casa no início do mandato de José Sarney (PMDB-AP). Criou-se o impasse: a Terceira Secretaria deveria ficar com o PP, que recebeu do PMDB (dono da vaga no critério que não leva em conta as mudanças na Casa) a promessa de tê-la? Ou do PR, que teria o direito pelo número de senadores?
Os senadores esgotaram o debate e, sem acordo, foram para a votação entre Ciro Nogueira (PP-PI) e Magno Malta (PR-ES). Nogueira venceu e Malta acabou despachado para a primeira suplência. “Não concordamos com a maneira com que o processo foi conduzido e vamos nos dirigir ao STF para saber, afinal, qual critério teria de ser usado”, avisou Alfredo Nascimento (PR-AM).
Acordo
O restante dos nomes da Mesa foi definido sem desgaste. Jorge Viana (PT-AC) é o primeiro vice-presidente. Conhecido pelo papel de articulador do Planalto na votação fracassada do Código Florestal, o petista tem a incumbência de substituir o presidente em suas ausências. O segundo vice-presidente é Romero Jucá (PMDB-RR), que foi líder de governo de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma. Ele substitui o presidente na ausência dele e do primeiro vice.
Os secretários têm funções administrativas na Casa, mas podem requisitar um gabinete extra. Com exceção do presidente, o primeiro secretário é o que tem mais cargos comissionados sob seu comando: 15. A Primeira Secretaria é uma espécie de prefeitura da Casa. Quem ocupa a vaga, agora, é Flexa Ribeiro (PSDB-PA), empresário que já foi preso em 2004, na Operação Pororoca, da Polícia Federal, sob acusação de fraude em licitações. Os suplentes são chamados pelo presidente do Senado na ausência dos secretários.