Jornal Estado de Minas

Lacerda ressalta o plano de entregar duas grandes obras em 2013

As operações do BRT, o sistema de transporte rápido por ônibus, e o Hospital Metropolitano do Barreiro estão prometidas para começar a funcionar dentro de 12 meses. A primeira obra é considerada pela prefeitura uma aposta de peso para aliviar o trânsito da capital, criando uma opção de transporte público de qualidade para a população. Já a segunda, chega para atender um dos setores mais carentes da cidade e reduzir as filas de espera para atendimento médico nos postos de saúde de uma das regiões mais populosas. Em entrevista ao Estado de Minas, o prefeito reeleito Marcio Lacerda (PSB), que completa 67 anos em 22 de janeiro, 21 dias depois de tomar posse para o segundo mandato, ressalta o plano de entregar as duas obras em 2013 e cita outras ações municipais que considera prioridade para os próximos quatro anos.

O sr. espera um segundo mandato mais difícil em comparação com sua primeira experiência à frente da prefeitura?
O que fizemos inicialmente foi fazer um planejamento estratégico, com visão para 2030, e o detalhamento de quatro anos com objetivos e indicadores da cidade. Esse foi nosso farol de trabalho até agora. Não tivemos conflitos partidários e políticos, com a exceção do vice-prefeito (o petista Roberto Carvalho), que não aceitou bem nosso modelo. Nos últimos anos tivemos um período favorável na economia, exceto neste último ano, em que a receita não cresceu o tanto que esperávamos, o que nos atrapalhou um pouco na reta final.

O planejamento que nós fizemos agora prevê um investimento total de R$ 6 bilhões, um terço com recursos próprios e o restante com financiamentos, repasses e investimentos privados. Todas as metas que colocamos são viáveis, desde que a economia não patine muito nesses quatro anos. De qualquer forma, temos muita coisa em andamento e que vão produzir resultados já em 2013.

A saúde ganhou um espaço grande no debate eleitoral e o sr. recebeu duras críticas. Qual é o plano para essa área no segundo mandato?
A Prefeitura de BH tem mais de 570 esquipes de saúde da família e tivemos contratações recentes. Temos uma cobertura grande para a população, acima de 80%.
A questão de equipes, falta de médico, do ponto de vista teórico, seria resolvida com as contratações que fizemos. Mas temos uma questão de infraestrutura para melhorar e pretendemos lançar um edital de parceria público-privada (PPP) para fazer 80 novos centros, sendo 57 para substituir e o restante para expandir a rede. Isso tudo para ficar pronto entre três e quatro anos. A atenção básica em termos de infraestrutura física vai melhorar muito. Estamos fazendo mais sete unidades de pronto atendimento (UPAs), sendo três delas novas e o restante para substituir e melhorar as existentes. Esperemos começar ainda no primeiro semestre as obras que ainda não estão em andamento.

Mas, se grande parte da cobertura para a população já existe, por que a saúde ainda é apontada como principal problema da cidade?
Naturalmente temos problemas de toda ordem. Mas, quando se faz essa pesquisa, a pergunta muitas vezes é feita para pessoas que nunca entraram em unidades de saúde pública.
Ela pode ter visto notícias ruins pelo jornal ou pela televisão. Desde julho, estamos com um serviço de call center que entra em contato com as pessoas atendidas nas unidades básicas e pedimos para dar notas de um a cinco em três quesitos: medicamento, coleta de material para exame e atendimento médico. Os números que recebemos mostram que 75% da avaliação estavam satisfatórios ou muito satisfatórios, entre 4 e 5. São 30 mil atendimentos nos postos de saúde por dia; se o grau de insatisfação fosse alto, teríamos passeatas aqui na prefeitura todos os dias. Claro que temos problemas, mas estamos avançando. Se pegarmos entre as 147 unidades de saúde na cidade, vamos ter problemas sérios em cinco ou 10, problemas de gestão ou de falta de pessoal, mas são em poucas unidades. As UPAs ficam congestionadas porque precisam,  sim, serem aumentadas, recebem muita demanda de municípios vizinhos, que representam 50% dos atendimentos na urgência.

Para atender uma das regiões mais populosas vem à tona a demanda do Hospital do Barreiro. Ele vai ser entregue em 2013?
Ele começará a operar no fim de 2013, mas ainda parcialmente. Assinei um convênio de R$ 20 milhões com o estado para nos ajudar a comprar equipamentos.
É preciso um planejamento para colocar um hospital moderno como esse em operação. São muitos detalhes técnicos, mas já estão sendo resolvidos. Temos hoje uma carência real em consulta especializada, algumas especialidades em que os atendimentos estão demorando demais, e serão nosso foco. Vamos ter que investir na estrutura própria, porque, mesmo pagando mais, não estamos conseguindo na iniciativa privada capacidade de atendimento para atender a demanda. Dos 600 médicos que estamos contratando, cerca de 130 são para consultas especializadas. Também estamos construindo um centro de imagens, com todos os equipamentos comprados, para aumentar em 20% nossa capacidade de exames, um dos problemas que temos hoje. Eu digo que nós deveríamos ter sido um pouco mais rápidos nessa área, mas estamos correndo atrás para em 2013 diminuir esses prazos.
 
A questão da mobilidade é outro tema muito cobrado pela população. E uma das obras mais esperadas é a ampliação do metrô. Ela começa em 2013?
Estamos trabalhando com os governos federal, estadual e com a Prefeitura de Contagem. Neste momento já temos as sondagens acontecendo, aquele famoso buraquinho da Praça Sete que foi falado na eleição, mas que foi feito em vários lugares.
A topografia a laser começa agora em janeiro, para completar o levantamento topográfico. É um estudo rápido que vai acontecer também entre Contagem e Betim. As licitações das linhas 1, 2 e 3 já tiveram as propostas abertas e está na praça uma consulta pública para o edital da PPP. Agora no início do ano serão repassados pelo governo federal R$ 60 milhões para esses estudos topográficos, sondagens e projetos. Na pior das hipóteses, o edital da PPP estará lançado no início do segundo semestre, o governo do estado acha inclusive que será lançado antes. As obras começam no máximo em 2014. Então, entre 2014, 2015 e 2016 teremos três anos de obras. Conseguiremos ter a obra pronta até o fim de 2016, mas, antes disso, já teremos a modernização da Linha 1, que acontecerá em paralelo com a construção das outras duas novas linhas. Eu diria que em quatro anos teremos tudo pronto. Pode ser que as obras já comecem em 2013, mas no mínimo teremos tudo já contratado. Não é mais promessa, é para valer mesmo. Muita gente duvidou e muitos continuam duvidando, o que acho até natural. Mas o processo já está em andamento.

E a entrega do BRT está confirmada?
Nossa meta é entregá-los operando em dezembro de 2013. São dois grandes eixos, da Antônio Carlos e Pedro I e da Cristiano Machado. O trecho da área central foi um projeto separado. São duas estações que vão atender os dois BRTs, passando pela Paraná e pela Santos Dumont.

Mas a previsão não era entregá-los em junho, já para a Copa das Confederações?
Essa era nossa primeira previsão. Mas tivemos dois grandes problemas. Houve contestações pelo Tribunal de Contas nas licitações das duas estações, o que atrasou muito o processo. Também perdemos muito tempo estudando como seria o funcionamento do BRT no Centro, até chegar à opção de usar as avenidas Paraná e Santos Dumont. Na hora de planejar essas obras, percebemos que se fôssemos mexer nas duas avenidas ao mesmo tempo eu sofreria até um impeachment, porque o trânsito da nossa cidade ia literalmente parar com os problemas de circulação. Não dá para fazer as duas obras ao mesmo tempo, para garantir a circulação na área. Foi preciso fazer ajustes no cronograma. Mas o importante é que para a Copa das Confederações teremos a Avenida Antônio Carlos desimpedida para facilitar o acesso ao estádio. Ainda sem o BRT operando estamos na média das melhores cidades. Quando existe desapropriação no meio, as dificuldades aumentam.

 

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