Jornal Estado de Minas

PSDB cobra acordo que previa um tucano no comando da Câmara de BH

Passadas as eleições municipais, o “romance” entre os dois principais partidos que reelegeram o prefeito Marcio Lacerda, o PSB e o PSDB, começa a dar os primeiros sinais de que não anda nada bem. As duas siglas disputam a Presidência da Câmara Municipal de Belo Horizonte. De um lado, o senador Aécio Neves (PSDB) quer emplacar o vereador Pablito (PSDB), enquanto Marcio Lacerda (PSB) não abre mão de colocar o vereador Bruno Miranda (PDT) na cadeira hoje ocupada por um tucano, o vereador Léo Burguês (PSDB). Um acordo feito em fevereiro no apartamento de Lacerda, quando os socialistas ofereceram ao PSDB a Presidência da Câmara em troca do apoio nas eleições, virou moeda de cobrança dos tucanos.


Há cerca de duas semanas, durante encontro no Palácio da Liberdade, o senador Aécio Neves (PSDB), o presidente estadual do PSDB, deputado federal Marcus Pestana, e o governador Antonio Anastasia (PSDB) lembraram ao prefeito o que tinha sido combinado. Marcio Lacerda se mostrou desconcertado e respondeu que o acordo foi feito antes de o PT sair da aliança. Pestana voltou alguns dias depois a se encontrar com Lacerda, que desconversou novamente. Os petistas, que chegaram a indicar o nome do deputado federal Miguel Corrêa para fazer dobradinha na vice-prefeitura com Lacerda, romperam a aliança com o PSB no fim de junho.


Sem o apoio dos socialistas, o vereador Pablito está se aproximando do vereador eleito Wellington Magalhães (PMN), que também se lançou candidato à presidência. A estratégia é atrair mais aliados para pressionar o prefeito a desistir da candidatura. Desde o resultado das eleições municipais Wellington Magalhães é visto com frequência nos corredores da Câmara. Há possibilidades, conforme conversas de bastidores, de o ex-vereador lançar mão da sua candidatura para apoiar Pablito. Eles também tentam atrair os petistas para a aliança.

Transparência

O vereador Arnaldo Godoy (PT) lançou seu nome à Presidência do Legislativo. Ele disse não ver problema em seu partido se unir a socialistas ou tucanos.
“Desde que eles aceitem uma lista de reivindicações, como por exemplo a implantação de mais transparência na Câmara”, ressaltou o vereador, que acrescentou que o PT vai reivindicar também uma cadeira importante na mesa diretora e em comissões na Casa.

Outros nomes surgem como possíveis candidatos à Presidência da Câmara. Entre os novatos, quem está de olho no cargo mais cobiçado da Câmara é o professor Wendell, também do PSB. Ele tem o apoio do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Dinis Pinheiro (PSDB), e tenta convencer os colegas que também estreiam na Câmara a comprar a ideia da renovação. Outro nome do PSB que está sendo cogitado é o do vereador Daniel Nepomuceno (PSB), também visto com bons olhos pelo prefeito. O problema, nesste caso, é que os partidos da base governista não aceitariam a indicação de um vereador da legenda de Lacerda. Por isso, o nome do Bruno Miranda é o mais forte.

Também almeja o comando da Câmara o presidente do PTdoB, o ex-vereador e deputado federal Luis Tibé, que este ano conseguiu eleger quatro parlamentares.
Já no PSDB, além de Pablito, o vereador Léo Burguês (PSDB) está de olho na cadeira. Os dois tucanos não se bicam desde que começaram as especulações de Pablito para a presidência. O vereador Leonardo Mattos (PV) é outra opção.

 

"Estamos trabalhando para que seja um candidato único que todos os vereadores escolheram, que tenha um compromisso com o Legislativo"

Pablito (PSDB) 

 

"Eu apresentei meu nome, mas a nossa ideia é conversar com todo mundo para construir um nome. A gente quer independência da Câmara"

Arnaldo Godoy (PT) 

 

"Eu sou candidato. ós estamos nos reunindo e vamos montar uma comissão para discutir com todos os partidos"

Wellington Magalhães (PMN)

 

"Eu digo para todos que me procuram que eu não sou candidato de mim mesmo. A gente precisa construir isso com o conjunto de vereadores"

Bruno Miranda (PDT) 

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