Jornal Estado de Minas

Marta está preocupada com o suplente que irá substituí-la no Senado

Grupo de defesa dos homossexuais fez alerta à senadora, que assumirá o Ministério da Cultura

João Valadares Adriana Caitano

Detalhe da mensagem do celular na mão de Marta Suplicy no Senado - Foto: IANO ANDRADE/CB/D.A PRESS

Na despedida do Senado, Marta Suplicy (PT-SP) demonstrou preocupação com o suplente, o vereador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP), ao mostrar à senadora Lídice da Mata (PSB-BA), pelo celular, um e-mail que classifica o sucessor como “evangélico e homofóbico”. A mensagem, segundo a senadora baiana, foi encaminhada a Marta por um grupo que defende o direto dos homossexuais. De maneira involuntária, a petista — indicada ao Ministério da Cultura depois de um arranjo eleitoral em troca do apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT) em São Paulo — pode comprometer a tentativa do partido de conseguir votos dos evangélicos na reta final do primeiro turno. No e-mail há uma clara tentativa de evitar que Antônio Carlos assuma a relatoria do PLC 122/06, que criminaliza a homofobia no Brasil. Marta era a relatora do projeto.

A primeira frase do e-mail evidencia o tema. “Substituir a senadora Marta Suplicy na relatoria do PLC 122.” Em seguida, o texto faz críticas em relação ao suplente. “Está havendo muitas críticas pelo suplente, que é evangélico e homofóbico.” No fim, há um questionamento sobre o procedimento a ser tomado. “Podemos fazer isso (possível substituição)?”

Por meio da assessoria de imprensa, Marta informou que não iria comentar o assunto. Declarou apenas que recebe muitos e-mails e não tinha como localizar a mensagem em questão. Ela estava na Mesa do Senado presidindo a sessão à tarde e desceu para mostrar o celular a Lídice. Depois de uma breve conversa entre as duas, retornou ao lugar.

Lídice da Mata informou que a nova ministra estava apreensiva com a tramitação do projeto. “Após me mostrar o e-mail, preocupada com a causa, perguntou se eu toparia assumir a relatoria do projeto. Informei que precisaria conversar com a bancada primeiro para tomar essa decisão. Ela disse, inclusive, que achava que não era uma prática do Senado o suplente assumir as relatorias do titular”, afirmou. Antônio Carlos Rodrigues não foi localizado para comentar o assunto.

O PLC n° 122, denominado Projeto Anti-homofobia, tramita no Congresso desde 2001. A matéria foi proposta pela então deputada Iara Bernardi (PT-SP). Em 2010, o projeto foi arquivado em razão de não ter sido votado até o fim da legislatura. No começo de 2011, Marta tirou a proposta da gaveta e assumiu a relatoria. Apesar da preocupação do grupo remetente do e-mail, o Regimento do Senado não prevê que o suplente ocupe as relatorias do titular de maneira automática.

Cultura


Marta deixou o Senado nessa quarta-feira depois da aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria o Sistema Nacional de Cultura e amplia os investimentos públicos para a pasta. Ela foi a relatora do texto na Comissão de Constituição e Justiça no Senado. A PEC foi incluída na pauta do plenário na terça-feira e precisaria passar por dois turnos de votação, depois das eleições. O último pedido de Marta, porém, foi atendido pelos líderes, que concordaram em burlar o regimento e passar por todas as etapas da proposta no mesmo dia.