Em lados opostos na política, mas unidos em família. Aloisio Vasconcelos (PMDB), candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Patrus Ananias (PT), e Ronaldo Vasconcellos (PV), presidente do PV de Minas, partido que lançou Délio Malheiros para concorrer à vice-prefeitura na chapa encabeçada pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB). Irmãos, eles garantem que a rivalidade ficará na rua e que, nos círculos mais íntimos, o companheirismo e a amizade irão prevalecer. Eles fizeram opções diferentes não só na filiação partidária: o peemedebista Aloisio é cruzeirense e o verde Ronaldo é atleticano.
Em quem a família vai votar? Os dois preferiram não adiantar a resposta. “Em casa, cada um vai fazer campanha para o seu candidato”, brincou o verde que é sete anos mais novo que o peemedebista. Não é a primeira vez que os irmãos estão em lados distintos. O primeiro desencontro na política foi em 1986 quando Ronaldo, ainda no PMDB, rompeu com o então prefeito de Contagem, Newton Cardoso. “Diferentemente do meu irmão, eu nunca fui muito fiel partidariamente”, confessa o dirigente do PV, que já teve o cargo que o irmão cobiça, foi vice-prefeito de Belo Horizonte, na administração Fernando Pimentel (2005-2008). Os dois começaram a carreira política juntos, no PMDB, apoiando o ex-presidente da República Tancredo Neves. Aloisio continuou no partido e Ronaldo passou por outras legendas (PL e PV).
Na eleição ao governo de Minas, em 1990, Ronaldo esteve ao lado de Hélio Garcia (PRS) e Aloísio, de Ronan Tito (PMDB). Em 1996, na disputa da PBH, o cruzeirense fez campanha para Célio de Castro (PSB) e o atleticano para Amilcar Martins (PSDB). Dois anos depois, o caminho dos dois voltou a se cruzar, na campanha de Itamar Franco ao Palácio da Liberdade. “Sempre conversamos, trocamos ideias. A nossa relação sempre foi boa, apesar de estarmos em campos opostos em alguns momentos”, observa Aloisio.
Civilidade O candidato a vice-prefeito de BH contou que falou com o irmão por telefone depois que foi convocado pelo seu partido para participar da chapa com Patrus Ananias, na noite de quarta-feira. “A conversa foi muito educada, amiga”, disse, sem revelar detalhes. O peemedebista garante que em família a campanha será certamente muito tranquila e defende a mesma civilidade nas ruas. “Eu só exigi que fosse uma campanha elegante, de alto nível, baseada em propostas”, afirmou. Ronaldo não poupou elogios ao irmão, que, segundo ele, se encaixou bem na chapa do Patrus: “Um cara competente”.
“Nós só não somos muito civilizados quando o assunto é futebol”, brinca Ronaldo lembrando que eles, não só torcem para times opostos como são conselheiros: ele do Atlético e Aloisio, do Cruzeiro. Apesar das diferenças, os irmãos dizem ter muitos pontos em comum. Além de seguir a carreira política, os dois escolheram a engenharia como profissão. “Eu sou mais político e ele é mais engenheiro”, brinca Ronaldo. Aloisio estava há um tempo fora dos holofotes da política, a frente de uma empresa de consultoria na área de energia. “Eu estava vivendo uma vida sossegada. Tenho humildade e desprendimento para dizer que nada pleiteei, mas não fujo da responsabilidade”, justificou.