A historiadora Heloísa Starling, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), vai assessorar a Comissão da Verdade. A oficialização do seu nome coloca um ponto final nas críticas de setores acadêmicos sobre a ausência de um profissional da área entre os integrantes, já que o objetivo do grupo é “resgatar a verdade histórica” sobre o que aconteceu no Brasil entre 1946 e 1988, segundo documento assinado pela presidente Dilma Rousseff. A mineira ficará responsável por responder questões sobre as fontes usadas nos trabalhos que envolvem documentos produzidos durante o período e pela análise dos contextos sociais investigados.
Integrante do Projeto República, da UFMG, Heloísa desenvolve pesquisas em parceria com o Ministério da Educação (MEC) sobre a memória da ditadura e definiu sua indicação como “uma grande honra e responsabilidade”. No acervo que está sendo recolhido pela Comissão da Verdade, com foco no esclarecimento de crimes cometidos por agentes públicos, está incluído parte do material organizado pela UFMG, que segundo a historiadora “é provavelmente o maior e melhor arquivo sobre o assunto”. Junto com novos documentos que estão sendo colhidos pelo grupo, eles deverão servir de base para os relatórios produzidos. Entre os acervos analisados estarão relatos e imagens das mobilizações que aconteceram na capital mineira, vários deles envolvendo estudantes e professores na antiga Fafich, que funcionava na rua Carangola, no Bairro Santo Antônio.
Entre os sete integrantes que foram nomeados para participar do grupo estão cinco advogados, uma doutora em psicanálise e um consultor especialista em ciência política. A historiadora, que devido a acordo feito entre os integrantes da comissão negou-se a revelar quais serão os primeiros períodos analisados pelo grupo, ressaltou que no material recolhido na UFMG se incluem documentos nacionais envolvendo atos de agentes públicos e de movimentos de resistência à ditadura.
Empossada em maio, a Comissão da Verdade terá dois anos para elaborar um amplo relatório com detalhes do que for apurado sobre as circunstâncias dos casos de graves violações de direitos humanos, como torturas, mortes e desaparecimentos. Apesar de terem se reunido no final de maio com o historiador americana Peter Kornbluh, pesquisador do National Security Archive (Arquivo Nacional de Segurança) – organização não governamental que desenvolve esforços para a transparência de documentos oficiais secretos – com o objetivo de estabelecer formas de cooperação entre a ONG e a comissão, os integrantes do grupo brasileiro não haviam convidado qualquer acadêmico da área para atuar na análise dos acervos levantados.
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