A família Corrêa, da Região de Venda Nova, quer comandar três prefeituras na Região Metropolitana de Belo Horizonte: Santa Luzia, Ribeirão das Neves e a capital. O principal artífice do novo clã político é o deputado federal Miguel Corrêa Jr. (PT), escolhido para ser o vice na chapa encabeçada pelo prefeito de BH, Marcio Lacerda (PSB). O deputado pode ser prefeito de Belo Horizonte por dois anos, caso Lacerda seja reeleito e deixe o cargo em 2014 para ser candidato a governador. Cristina Corrêa (PT), irmã de Miguel, é pré-candidata à Prefeitura de Santa Luzia, e Daniela Corrêa (PT), sobrinha do deputado, irá disputar em Ribeirão das Neves.
Cristina, de 36 anos, é dois anos mais velha que Miguel, que completou 34 ontem. Professora de história em Santa Luzia ela coordenou as duas últimas campanhas do irmão para deputado federal na cidade. Mora há 13 anos na cidade, onde planeja implantar uma filial da Organização Não Governamental (ONG) Mudança Já. A ONG oferece dezenas de cursos gratuitos e serviu de trampolim para Miguel Corrêa Jr. fazer uma carreira meteórica na política, sendo eleito deputado federal com apenas dois anos de mandato de vereador. “Me espelho nele a todo momento”, afirma Cristina, a respeito do irmão.
Além da sede em Venda Nova, a entidade tem uma filial em Ribeirão das Neves, uma das cidades com maior índice de violência do estado, que a sobrinha de Miguel, Daniela, ambiciona administrar. Ela nasceu no mesmo dia que o tio, completando também ontem 34 anos. Miguel tem sete irmãs, sendo que duas comandam a ONG que cacifa a família. Margaret Corrêa é presidente da ONG, em Venda Nova e Celeste Corrêa, coordena a filial da organização em Ribeirão das Neves. Margaret explica que Mudança Já não é apenas o nome da entidade, mas um movimento político e ideológico que surgiu à época em que o irmão era presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) do UNI-BH, no início dos anos 2000.
Margaret é presidente da ONG há oito anos e detalha que são atendidos cerca de 4 mil pessoas por mês em diferentes cursos, todos gratuitos. Desde a fundação, 100 mil estudantes já passaram por lá. O trabalho é feito essencialmente por voluntários, mas há também funcionários pagos. “Não existe nenhum convênio para receber dinheiro. Quase tudo vem da pessoa física do Miguel”, explica a presidente da ONG. Além disso, ela destaca que os assessores do deputado também fazem doações mensais.
Padrinho
A ONG nasceu de uma iniciativa do deputado e de mais três amigos, que formavam o DCE e o movimento Mudança Já. Grande parte dos integrantes têm tatuado no braço o logotipo, um símbolo oval vermelho e amarelo, com quatro argolas, inclusive Miguel. Com a liderança estudantil e o trabalho na ONG Miguel conseguiu angariar votos para se tornar vereador. Na Câmara Municipal estreitou a relação com o então prefeito Fernando Pimentel (PT) e mudou de partido, saindo do PPS – que hoje faz oposição ao governo Dilma Rousseff – para o PT. A influência de Miguel no partido vai além do poder do seu principal padrinho, Fernando Pimentel. Margaret revela que na eleição de domingo a família Corrêa tinha 10 delegados, com direito a votar e escolher o vice, entre os 455 que compareceram.