André Ubaldino ingressou no Ministério Público de Minas em 1989, depois de ser aprovado em primeiro lugar em concurso público, sendo promovido a procurador em 2001. Como promotor, atuou em comarcas do interior e, em Belo Horizonte, em varas criminais, de Fazenda, e especializada em entorpecentes. Nos últimos 10 anos, o procurador coordena a Promotoria de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais. Entre várias investigações, destaca-se o papel de André Ubaldino na apuração do assassinato do promotor Francisco José Lins do Rêgo, executado a tiros em 2002, em plena luz do dia. A execução foi motivada pela atuação da vítima no combate às máfias especializadas em adulteração de combustíveis. Com o esclarecimento do crime, o Ministério Público também promoveu verdadeira devassa nos negócios ilegais nesse setor.
Escutas telefônicas
Odair Cunha garantiu ontem que todos os investigados e integrantes da comissão mista terão acesso à íntegra do inquérito repassado a ele pelo Supremo Tribunal Federal (STF), respeitadas as regras já estabelecidas para impedir o vazamento de informações sigilosas. Ele disse que o material remetido ao Congresso está completo e contém todas as conversas citadas na Operação Monte Carlo, que levou à cadeia Cachoeira e outros acusados de integrar a organização criminosa do bicheiro.
Investigados e a oposição pressionam o relator da CPI e o STF para ter acesso à totalidade dos autos da operação. Eles temem que as conversas tenham sido editadas para poupar o governo federal e o PT de possíveis denúncias de envolvimento com o esquema de corrupção bancado por Cachoeira. Um dos principais interessados nos aúdios completos das escutas da Polícia Federal, que duraram três meses, é Demóstenes, que trocou mais de 200 telefonemas com o contraventor durante o período de monitoramento das conversas. Até o início de abril, o senador era integrante do DEM, partido do qual se desfiliou diante da ameaça de expulsão.
A defesa do senador alega que não há como saber se houve alguma mudança de sentido durante a transcrição dos diálogos interceptados pela PF ou até a supressão de trechos das conversas originais que pudessem beneficiar o representado. Os advogados de Cachoeira também fizeram o mesmo pedido, alegando que muitas das escutas vazadas para a imprensa não fazem parte do inquérito que eles puderam consultar.
O PSDB também quer acesso a todas as escutas para decidir o destino de um dos parlamentares de sua bancada na Câmara, o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), acusado de envolvimento no esquema. O deputado também briga na Justiça para ouvir as gravações relacionadas a ele. Em diálogos interceptados pela PF e publicados pela imprensa, Leréia e Cachoeira conversam sobre o fornecimento da senha de cartão de crédito do bicheiro ao parlamentar. Em outras conversas, o tucano é citado como um dos beneficiários das propinas pagas pelo contraventor. O PSDB estuda expulsar o deputado.
Um dos argumentos dos denunciados para ter acesso à íntegra das conversas monitoradas é uma decisão do STF relativa à Operação Furacão, que prendeu, em 2007, no Rio de Janeiro, empresários e magistrados ligados ao jogo. Por meio da sentença, os acusados tiveram acesso às escutas feitas pela Polícia Federal, inclusive aquelas que não foram transcritas para integrar o inquérito.