Dentro desse contexto, previu que o caso do mensalão será julgado neste ano pelo Supremo Tribunal Federal, mesmo que haja esforços para adiar a decisão para o ano que vem, quando quase todos os crimes estarão prescritos. "Conheço bem o Carlos Ayres Britto (ministro do STF) e sei que ele vai colocar em pauta. Creio que se houver pedido de vistas de algum ministro, a pressão popular será de tal ordem que não se poderá segurar".
Na mesma linha, outro participante do painel, o economista Gil Castello Branco, fundador e secretário-geral da Associação Contas Abertas, identificou o momento atual como "muito favorável no aspecto transparência", tanto pela existência de leis e portais de acesso à informação quanto pela mobilização social, e lembrou que há cerca de cem projetos com avanços significativos para a área adormecidos no Congresso. Entre eles estão propostas que tratam da imunidade parlamentar, sigilo bancário excessivo, gastos públicos, foro privilegiado, liberalidade para a criação de organizações não governamentais, morosidade da Justiça, financiamento de campanhas eleitorais e impunidade. "Talvez votar todos não tenha tanto impacto quanto a participação da sociedade. Os parlamentares quando pressionados pela sociedade eles respondem", sugeriu.
Apesar do otimismo, Castello Branco advertiu para o longo caminho que o País tem a percorrer ainda para chegar a patamares razoáveis de percepção da corrupção. Por enquanto, o Brasil está na 73ª posição no mundo, com nota 3,8. "O desafio para os próximos dez anos seria subir dessa nota para um patamar de 7, próximo ao da Áustria, Bélgica, Chile, Estados Unidos, França e Uruguai". Esses países estão num bloco intermediário. Os campeões são a Nova Zelândia e países escandinavos.