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Estado de Minas

Em BH para congresso, vereadores do interior gastam dinheiro com diversão

Alguns preferem guardar a verba no bolso


postado em 16/03/2012 06:00 / atualizado em 16/03/2012 13:49

Vereadores que viajam a Belo Horizonte para participar de cursos e congressos estão incrementando o rendimento mensal com diárias parlamentares. Engordam o contracheque às custas do dinheiro público e, de quebra, curtem a noite bem longe das chamadas bases eleitorais. Já viram até show da Gretchen.

Dois dias em Belo Horizonte, dependendo do município, podem render metade do salário do vereador. Em Madre de Deus de Minas, município da Região Central do estado, o vencimento dos parlamentares é de R$ 1 mil. A diária para viagens à capital, no entanto, é de R$ 250. “Estou aqui só por causa do dinheiro”, dizia nessa quinta-feira um vereador de Madre de Deus no lobby de um hotel na Região Central de Belo Horizonte, onde a Associação Mineira de Municípios (AMM) realizava um congresso.

O parlamentar garantiu que no primeiro dia do encontro, na quarta-feira, dormiu por volta das 19h. Cama cedo, carteira mais recheada. Mas não é assim com todos. No mesmo dia, três dos sete vereadores de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, que participaram do congresso, seguiram imediatamente para um bar ao fim do último painel.

Em um shopping da região, dois tomaram chopes e dividiram um pedaço de salmão. Outro, talvez mais econômico, apenas conversava. A Câmara da cidade paga diária de R$ 200. Os sete chegaram à cidade um dia antes do congresso, na terça-feira.

Já que não dispensam o chope, a saída é economizar em outra ponta. Os sete vereadores viajaram à capital em dois carros e dividiram a gasolina. A hospedagem dos três que estavam no shopping correu por conta de parentes que vivem na capital. Caso optassem por um hotel, porém, também teriam alguma facilidade. A AMM, que realiza pelo menos um curso ou congresso por mês na capital para vereadores e prefeitos, fecha convênio com estabelecimentos, sempre no Centro da cidade, para alojar os participantes dos encontros. Os preços, sem o desconto, oscilam entre R$ 88 e R$ 120. É comum ainda que deputados votados nas cidades dos parlamentares ofereçam apartamentos para a pernoite durante as viagens à capital.

Estrela

Em um bar na Praça Sete, próximo a um dos hotéis usados pelos vereadores, um dos parlamentares de Cruzília, Região Sul de Minas, contava na noite de quarta-feira as incursões pela cidade em visitas para participar de congressos em anos anteriores. “Uma vez vimos o show da Gretchen em uma boate da zona Sul. Tinha outros vereadores comigo. Negociamos e conseguimos um desconto na entrada”, lembra. O estabelecimento, hoje, cobra R$ 50 para ingresso. A câmara de Cruzília paga diária de R$ 280 para viagens à capital.

Os vereadores de Pescador, no Vale do Rio Doce, preferiram circular por uma região pouco mais distante do Centro para a reunião do fim de “expediente”. Um dos parlamentares da cidade, ainda no hotel em que o congresso foi realizado, dizia que iria para uma “churrascaria” perto da Santa Casa. O estabelecimento é um reduto de balzaquianas em migração mais avançada de faixa etária.

A forma do repasse do dinheiro oscila de município para município, mas na maioria das cidades o pagamento é feito sem a necessidade de apresentação de recibos para justificar os gastos. Com tanta facilidade, resta aos vereadores esperar o próximo congresso, que já tem data para acontecer. Será entre 8 e 10 de maio na capital, para azar do contribuinte, e para a saúde do bolso dos vereadores.

Mais cadeiras

As câmaras municipais mineiras terão pelo menos mais 407 cadeiras em disputa nas eleições de outubro. Amparadas pela emenda constitucional que trouxe novas regras para a composição do Legislativo, 124 cidades de Minas Gerais já aprovaram leis aumentando o número de representantes – menos da metade das 236 câmaras que podem fazê-lo.

 

 


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