O vereador Preto também cobrou a presença dos colegas na comissão especial formada ano passado para discutir a regularização fundiária no bairro Olhos D’Água, Região Oeste da capital. Segundo ele, a comissão já se reuniu 18 vezes. “Tem representante que não participou de 16 das 18 reuniões”, criticou o vereador, que preside a comissão, sem revelar os nomes dos ausentes. A última reunião aconteceu na sexta feira com a presença de Preto, Mattos e Adriano Ventura (PT). Estiveram ausentes os vereadores Pablo César, Pablito (PSDB), Elaine Matozinhos (PTB) e Neusinha Santos (PT). A reportagem não teve acesso às presenças nas comissões especiais, pois o portal da transparência da Câmara não divulga as atas das comissões especiais.
A Câmara de Belo Horizonte tem nove comissões temáticas, que tiveram 30 reuniões convocadas em fevereiro. Desse total, um terço não foi aberta por falta de quorum. Uma audiência pública para discutir o fomento dos esportes radicais em Belo Horizonte, convocada pela Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Desporto e Lazer, foi aberta com a presença de apenas dois vereadores, Leo Burguês (PSDB) e Heleno (PHS), número inferior ao quorum mínimo exigido, para não frustar os convidados que atenderam ao convite da Câmara para tratar do assunto. Essa reunião estava prevista para acontecer na quinta-feira que antecede o Carnaval.
Mesma sorte dos interessados em discutir os esportes radicais na capital mineira não tiveram os moradores do bairro São Lucas, região Centro-Sul da cidade. Uma audiência convocada no dia 24 para discutir a construção de um prédio para abrigar um posto de saúde, que hoje funciona nas dependências de uma igreja , não contou com a presença de nenhum vereador. Nem mesmo o autor do pedido da reunião, vereador Sérgio Fernando dos Santos (PV), compareceu ao encontro, marcado para a sexta-feira pós-carnaval. Por falta de quorum a reunião não aconteceu.
Nem mesmo as reuniões marcadas para tratar dos vetos do prefeito Marcio Lacerda aos projetos dos vereadores têm tido ibope. Uma delas iria discutir o veto ao projeto que proíbe o comércio de serpentina metálica na capital, a mesma que no carnaval de 2011 matou 15 pessoas no interior do estado e nem foi aberta, por falta de vereadores. Ela também estava prevista para a sexta-feira depois dos festejos de Momo.
Sem humoristas
Sem a ameaça da presença dos humoristas do programa Custe o que custar (CQC), os trabalhos na Câmara Municipal de Belo Horizonte se estenderam até mais tarde, mas quase nada foi votado. Na verdade apenas um dos vetos que trava a pauta de 78 matérias foi derrubado. Ele alterava a lei que criou o Conselho Municipal Antidrogas. Insatisfeitos com a enxurrada de vetos dos prefeito Marcio Lacerda (PSB) aos projetos de sua autoria, os vereadores articulam para tentar derrubar grande parte deles. Ontem, quando perceberam que não haveria número suficiente para rejeitar os vetos, esvaziaram o plenário. Não sem críticas ao prefeito. Segundo o vereador Cabo Júlio (PMDB), Lacerda está “vetando por atacado”. E cada veto é mais louco ue o outro”, disse.