Não há no estatuto do partido um prazo definido para uma decisão sobre processos administrativos disciplinares, mas o deputado Sargento Rodrigues acredita que a tramitação será rápida. “Há um interesse em dar celeridade ao caso até para o Manoel Costa se manifestar”, afirmou ontem. A representação apresentada pelo parlamentar se baseou em informações divulgadas à imprensa e ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público, que Manoel Costa já classificou de “calúnia”.
Durante as investigações que culminaram na Operação Grilo, a PF encontrou quatro propriedades em nome de Manoel da Silva Costa Júnior, em Açucena, Araçuaí, São Sebastião do Rio Verde e Sardoá. A alegação da polícia é que elas pertencem ao ex-secretário enquanto no Iter todas estão registradas em nome de laranjas – esquema que segundo a PF dificulta a identificação do real proprietário. Manoel Costa nega com veemência a posse das terras.
As investigações da Operação Grilo começaram no final de 2010 a partir de denúncias de posseiros e apontaram que terras públicas, situadas no extremo Norte de Minas, eram vendidas a mineradoras com o objetivo de explorar jazidas de minério de ferro. Estima-se que o volume seja de 10 bilhões de toneladas. O MP identificou três frentes paralelas para a legalização das terras que anteriormente eram usadas para a silvicultura: uma delas atuava em Indaiabira e Vargem Grande do Rio Pardo e as outras duas estariam agindo em Salinas, com negociações em torno de R$ 41 milhões, e São João do Paraíso, com projeção de negócios de R$ 200 milhões a R$ 250 milhões na venda de terras.