Para estimular a participação do seu interlocutor, o político deve trabalhar canais sensoriais para três tipos de espectadores. Use o verbo “veja”, para atrair pessoas mais focadas no visual, “ouça” para os auditivos e “sinta” para os sinestésicos. O consultor fala ainda em “âncoras”, que são palavras, cheiros ou características que podem se tornar marcas dos candidatos. Toda a consultoria é virtual. “Tem candidato que assessorei sem nunca apertar sua mão”, diz Roberto. O interessado diz o assunto que deseja abordar e preenche um formulário de duas páginas com várias perguntas antes de receber o discurso pronto.
Uma assessoria política para campanha de vereador fica, em média, em R$ 8 mil . Mas o ideal, segundo os marqueteiros, é planejar até dois anos antes, o que dobra os custos. Um discurso pela internet, segundo Roberto, pode custar de R$ 300 a R$ 1,5 mil. A reportagem achou preço menor. Em uma outra consultoria, o publicitário Sullyvan Andrade cobra R$ 199,99 por lauda. Em seu site, ele ensina que deve haver introdução, desenvolvimento com problemas e soluções e o resgate da autoestima do eleitor. Também é preciso demonstrar fé e sentimento de localidade. Segundo as dicas, o nome do candidato, o slogan e o número devem ser repetidos três vezes.
PARENTES E AMIGOS Outro especialista em assessoria política, Marco Iten também diz que uma campanha bem organizada para vereador deve começar cedo. É conversar com vizinhos, parentes, amigos e conhecidos. Há 30 anos no mercado, ele aconselha: “Em um ambiente de mais disputa e uma certa resistência ao político, chegar na frente é importante”. Não há padrão de preços, segundo ele. Em Belo Horizonte, por exemplo, a preparação de um candidato a vereador pode custar de R$ 50 mil a R$ 100 mil. Uma campanha inteira estaria na cifra dos milhões. Mas depende do perfil do candidato. Enquanto uns podem precisar de fonoaudiólogo e media training, outros podem agregar segmentos importantes e, com isso, obter multiplicadores de graça.
O discurso também depende do candidato e do eleitor. É preciso conhecer o problema da localidade aonde se vai e tocar no assunto prometendo resultado. Postura e vestimenta adequadas contam tanto quanto as palavras e entonação. Se estiver falando com um público da terceira idade, por exemplo, Marco Iten ensina que se deve evitar falar em futuro. “Assuntos mais ligados à família, realização, bem-estar e saúde são ideais, além de escutar mais do que falar.” Para os jovens, discursos rápidos e linguagem próxima. Se puder mostrar intimidade com tecnologias e coisas próximas ao universo deles, melhor. Termos como juventude, trabalho, família e um toque de bom humor são indicados. A profissão do candidato também norteia o trabalho. Um jornalista, por exemplo, pode falar em conhecimento para transformar. Já um médico usaria palavras como vida, tratar e cuidar do eleitor.