Jornal Estado de Minas

Dilma Rousseff completa neste domingo um ano como presidente do país

Maria Vitória, Lucas e Kaillane sintetizam o primeiro ano do governo da presidente. As famílias deles usufruem do Bolsa-Família, mas são assombradas pelo desemprego

Juliana Braga
Luciana votou em Dilma pensando na promessa de creche - Foto: Breno Fortes/CB/D.A Pressa Brasília – Dilma Rousseff completa amanhã um ano como presidente do país. Nos últimos 12 meses, afastou sete ministros, enfrentou uma crise econômica internacional, encarou protestos e conseguiu aprovar os principais projetos no Congresso. O fim de 2011 e a chegada de 2012 marcam também o início de uma nova etapa na vida de três crianças: Maria Vitória Santana, Lucas Henrique da Silva e Kaillane Kessia de Souza. Os três bebês viveram em 2011 o primeiro ano de suas vidas, o mesmo período em que Dilma estreava na presidência. Parte dos programas e das conquistas da presidente chegaram aos lares das crianças, mas o desemprego, a falta de saneamento básico e o acesso a bens de consumo, como geladeira e computadores, ainda são problemas que as famílias dos dois enfrentam. Mas já conseguem perceber melhorias na área da saúde e usufruem do benefício do Bolsa-Família, programa iniciado no governo Lula, mas que recebeu reforços em 2011. Em 2012, Dilma terá desafios para vencer. Alguns projetos importantes, como o Fundo Previdenciário para Servidores Públicos e o Código Florestal serão apreciados pelo Congresso e exigirão jogo de cintura para negociar com os parlamentares a aprovação nos moldes que o governo quer. Também é esperada, para o início do ano, uma reforma ministerial que consiga apagar os danos deixados pela faxina feita na Esplanada. Para Claudineia Rodrigues, mãe de Maria Vitória, será também um ano cheio de desafios. “Nós mulheres somos guerreiras, somos mais fortes. Se decidimos realizar alguma coisa, não desistimos. Eu sei que vou tirar de letra. E espero que a Dilma também”, torce. Mais acesso à saúde Enquanto Dilma Rousseff vivia os últimos momentos de ansiedade para a posse como presidente, em 31 de dezembro de 2010, a revendedora Luciana Jesus da Silva, aos 19 anos, se preparava para assumir o papel de mãe. A jovem fez todo o pré-natal em um posto de saúde em Samambaia, perto de onde mora, mas não queria ter seu filho na cidade. Em 2007, a irmã morreu devido a espera para dar a luz. Há um ano, Luciana pegou um ônibus e seguiu com a mãe, Leonice de Jesus, ao Hospital Regional de Taguatinga. Mas não havia vaga. Voltou para Samambaia, relutante, mas se impressionou com a melhora no atendimento. Lucas nasceu às 23h48 de 31 dezembro do ano passado. Luciana observou a melhoria também ao longo do ano, todas as vezes em que precisou levar Lucas ao posto de saúde. O Rede Cegonha, programa que destinou R$ 9,4 bilhões para a construção de maternidades e  atendimento para a mãe e para a criança, foi um dos primeiros lançados por Dilma, em março. “É bom ver que a presidente está cuidando da saúde de quem é mais pobre. Minha irmã era muito nova para morrer.”  Eleitora de Dilma, Luciana diz que votou na presidente por causa de uma promessa de campanha: a construção de 6 mil creches no país. Não viu mudanças, nem depois do anúncio em setembro da construção de 4,9 mil unidades. Agora que está empregada, precisa pagar R$ 200 para a vizinha cuidar do filho. Sonho da casa própria Claudineia sabia do momento histórico que vivia no fim do ano passado. Grávida de nove meses, não assistiu à posse de Dilma porque a televisão de casa não estava funcionando, mas se emocionou com o fato de haver uma mulher no Planalto. Decidiu que a filha iria se chamar Maria Vitória em homenagem à conquista das mulheres no país. “Achei maravilhoso. Estávamos precisando de uma presidente”, conta a mãe da menina que nasceu em 10 de janeiro no Hospital do Regional do Gama. Sozinha, Claudineia cria Vitória e mais duas filhas em uma casinha de um cômodo de 16 metros quadrados, alugado em um lote com outra casa. A pia serve como despensa porque da torneira não desce água. Tratamento de esgoto também não há. As obras de saneamento anunciadas por Dilma dentro da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) não chegaram à rua onde mora, em São Sebastião. A maior preocupação de Claudineia é a educação das filhas, que pretende fazer com base no diálogo. Dilma também precisou de muita conversa para lidar com as pressões do Congresso e aprovar projetos estratégicos. Para 2012, Claudineia espera que Dilma amplie o Minha Casa, Minha Vida, porque, mesmo com o orçamento apertado, diz que a única coisa que falta para que possa dar uma boa vida aos filhos é a segurança de uma casa própria. “Quero que ela tenha a certeza de um lar para morar. O restante sou eu que devo dar: carinho e educação”, afirma. Conquistas passo a passo “Deus me honrou. Eu disse que só queria mais filho se fosse na minha casa própria. Consegui”, comemora a faxineira Kleudia Fernandes de Souza, de 39 anos. Kaillane Kessia, de 11 meses, desobedeceu e ocupou a barriga da mãe mais cedo, quando ainda moravam num barracão alugado de um cômodo na Vila Cafezal, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Mas os dois “presentes” acabaram chegando juntos, em janeiro. Para ela, o mês de posse da primeira presidente do Brasil, Dilma Rousseff (PT), foi o mais transformador de sua vida. “Meu apartamento não é imenso como deve ser a casa da presidente, que se mudou na mesma época que a minha família, mas é o meu lar.” Kleudia, o marido Geraldo Santana, de 47, e os filhos moravam em área de risco e foram cadastradas em programa da PBH, com recursos federais, para conquistar a casa própria. Mudaram-se para um apartamento de três quartos no Novo São Lucas, na mesma região. “A Dilma já começou transformando a minha vida. Mas falta muito”, diz. O casal e três filhos vivem com cerca de R$ 400 mensais. Kleudia ganha R$ 300 como faxineira. O Bolsa-Família completa a renda com R$ 96. “Quando chega, acabo dando prioridade para a pequena. Compro frutas para ela”, conta Kleudia. Ela voltou a trabalhar há um mês. O marido, hipertenso, não consegue emprego com carteira assinada. “Era meu sonho, mas ninguém me aceita”. (Amanda Almeida)