Odair Cunha (PT-MG) foi outro da linha de frente do governo para poupar Agnelo Queiroz. "Aqui não é o foro adequado. Cabe à Câmara Legislativa fazer a convocação para que ele preste esclarecimentos. Vários assessores do Ministério do Esporte envolvidos na suposta denúncia já foram ouvidos aqui. Fazer desta comissão um espaço de debate político eleitoral não é adequado. Este não é um órgão para investigar governos estaduais", retrucou o petista. Na avaliação dos governistas, Agnelo Queiroz deve ser investigado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde sua base aliada é majoritária.
Durante o debate de quase duas horas na Comissão de Fiscalização e Controle, a oposição contou o apoio do deputado Izalci (PR-DF) um dos mais empenhados em aprovar o convite para que Agnelo fosse se explicar na Câmara. Apesar de ser da base aliada, Izalci foi secretário de Ciência e Tecnologia nos governos de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda e é inimigo político do petista.
Junto com o ex-ministro Orlando Silva, o governador do Distrito Federal é alvo de investigação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que apura desvios de recursos do programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte. Além do suposto envolvimento no esquema do Esporte, Agnelo também foi flagrado em conversas gravadas com autorização judicial em 2010, prometendo ajuda ao policial militar João Dias, dono de ONGs suspeitas de desviar recursos do programa. Em janeiro de 2008, Agnelo, então diretor da Anvisa, recebeu um depósito de R$ 5 mil em sua conta corrente de Daniel Almeida Tavares, funcionário do laboratório União Química. No mesmo dia, o hoje governador do Distrito Federal autorizou a concessão do certificado para a empresa.