Jornal Estado de Minas

Novo titular da Agricultura diz que haverá mais cortes na pasta

Diretor do ministério ligado à empresa que emprestava jatinho a ex-ministro é exonerado, dois dias após a queda de Rossi

Alana Rizzo
Ricardo Saud, amigo do ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi, deixou nesta sexta-feira o cargo de diretor do Programa de Cooperativismo da pasta. O pedido de demissão retroativo foi publicado no Diário Oficial da União. Saud é o primeiro da equipe de Wagner Rossi a perder o emprego após a saída do ministro. O deputado federal Mendes Ribeiro (PMDB-RS), nomeado para o ministério, toma posse na segunda-feira e disse que vai lançar mão de aval para trocar os funcionários.
Envolvido em uma série de suspeitas de corrupção e tráfico de influência, Rossi deixou o cargo na quarta-feira, depois que o Estado de Minas revelou que ele e o filho, deputado estadual Baleia Rossi (PMDB-SP), usavam o jatinho de uma empresa de agronegócios, a Ouro Fino, para viagens particulares. A empresa ampliou o faturamento em 81%, em comparação com o primeiro semestre de 2010, depois de entrar no mercado de vacinas contra a febre aftosa por meio de contrato com a pasta.
Saud, que foi sócio de uma subsidiária do grupo Ouro Fino, teria atuado ainda, quando era secretário de Desenvolvimento Econômico em Uberaba, para a doação de terreno de 226 mil metros quadrados para a Ouro Fino instalar unidade industrial, além de isentá-la do pagamento de Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) por 10 anos.
A amizade entre Rossi e Saud garantiu ainda uma vaga, no mesmo departamento, para um conterrâneo do ex-diretor, Daniel Agnotti Moisés Marques, no mesmo departamento. Ontem a reportagem tentou falar com Daniel, mas a informação é de que ele não estava no ministério. A saída dele é esperada. O chefe de gabinete do ex-ministro, Alfredo Moraes Jr., também não esteve no trabalho ontem.

O Ministério da Agricultura informou que todos os cargos de livre nomeação estão à disposição do novo ministro, que assumirá na semana que vem. A Ouro Fino afirma que Saud não é mais sócio da empresa e que não houve doação do terreno da fábrica de Uberaba. A área foi comprada da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. A reportagem não localizou Saud. A prefeitura de Uberaba nega qualquer irregularidade.

Nesta sexta-feira, Mendes Ribeiro disse ter recebido carta branca da presidente Dilma Rousseff para fazer mudanças no ministério. Após a primeira reunião com a presidente, ele afirmou que montará a sua equipe e já convidou Caio Rocha, ex-secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul durante o goverrno do peemedebista Germano Rigotto (2003-2007), para assessoria especial da pasta. "Eu pretendo imprimir meu ritmo, colocar a minha equipe de trabalho. Vou fazer as mudanças que julgar necessárias", afirmou.

O novo ministro deixou claro que haverá demissões. "Para mudar, vou ter de tirar alguém", comentou. Segundo Mendes Ribeiro, a presidente lhe disse que ele fizesse o que achar necessário, com a cautela que sempre teve. "Não tenho dúvida de que terei a autonomia (para fazer as mudanças)", afirmou. Ele marcou uma reunião com o ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, na segunda-feira pela manhã para, segundo ele, ter conhecimento das investigações que estão sendo feitas na pasta. "Todos que quiserem fazer investigação e trabalhos ligados a qualquer tipo d e controle terão total liberdade no ministério", disse.

Desconhecido Em São José do Rio Preto (SP), a presidente Dilma Rousseff admitiu que Mendes Ribeiro é desconhecido das instituições que representam o setor, mas afirmou que, com o tempo, todo o país poderá reconhecê-lo. A presidente disse ainda que o novo ministro deverá dar continuidade às ações iniciadas pelo seu antecessor, Wagner Rossi, e voltou a defender a presunção da inocência. "Somos obrigados a tomar posição, e minha base de sustentação também não concorda com maus feitos", disse.