Com a aproximação do prazo final determinado pela Justiça Eleitoral para que os candidatos das próximas eleições se filiem aos partidos, os diretórios municipais de Belo Horizonte se movimentam para conseguir mais nomes para as eleições de 2012. Segundo a legislação eleitoral, para concorrer aos cargos eletivos por uma determinada legenda, cada candidato deve estar filiado há, pelo menos, um ano no mesmo partido. Como as eleições estão marcadas para outubro do ano que vem, o prazo para que os candidatos estejam com a situação regularizada e façam parte dos quadros de seus partidos é 30 de setembro.
O partido atravessou um primeiro semestre cheio de momentos conturbados por causa das divergências internas, tanto nacionalmente quanto entre os integrantes da bancada estadual. O descontentamento começou no período de articulações eleitorais nas eleições do ano passado e piorou quando nomeações para cargos no governo do estado, definidas pelo presidente estadual da sigla, Carlos Melles, desagradaram a outros parlamentares. As lideranças da legenda na capital esperam que os problemas não atrapalhem a composição das chapas para o ano que vem e acreditam na possibilidade de aumentar o número de vereadores no Legislativo municipal, com a eleição de pelo menos mais um representante. “No mês que vem, teremos substituições nas executivas estaduais, que estão sendo discutidas pelas bancadas, e as mudanças serão de forma tranquila”, aposta Gustavo.
Entre os partidos que ocupam poucas cadeiras na Câmara, o momento é de reuniões internas e conversas com as lideranças comunitárias, na tentativa de convencer nomes fortes nas comunidades a disputar as eleições. No Partido Verde (PV), que hoje conta com dois representantes na Casa, as definições sobre quem deve concorrer pela legenda ficarão para o ano que vem, mas os filiados já estão sendo avisados que, caso a filiação não esteja oficializada até o fim de setembro, a legislação não permite a inscrição dos candidatos.
A situação é parecida no Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que ainda trabalha na construção da chapa e busca novos nomes que se identifiquem com as diretrizes apresentadas pela legenda. A presidente do diretório municipal, Dalva Rodrigues, destaca essa fase de construção como fundamental para que as ideologias e propostas defendidas pelo programa dos comunistas sejam reforçadas pelos pré-candidatos. “Temos hoje dois movimentos, de conversar com as lideranças comunitárias para mostrar a importância dos nossos pontos de vista sobre as questões políticas da cidade e também de analisar as propostas daquelas pessoas que nos procuram para integrar o partido”, ressalta Dalva.
Reorganização
Já no Partido da Mobilização Nacional (PMN), a preocupação com as eleições municipais deve ter avanços somente nas próximas semanas. Isso porque o ex-vereador Wellington Magalhães deixou a presidência municipal do partido em 30 de junho e os outros parlamentares ainda se organizam para definir quem vai coordenar os trabalhos para as eleições do ano que vem. Apesar de a composição da chapa ainda não ter sido definida, dentro da legenda a saída do ex-vereador é apontada pela presidente estadual do PMN, Thelma Zaira, como positiva em relação às possibilidades do partido em 2012. “A redução acaba sendo boa para a eleição dos nossos candidatos e não vai atrapalhar nossos trabalhos para conseguir uma chapa completa no ano que vem. Vamos combinar as próximas reuniões e conversar para agregar uma chapa forte nas eleições”, afirma.
Entre os partidos que contam com maior número de representantes na Câmara, as negociações com possíveis candidatos também já começaram na capital mineira. Ainda sem definições para as alianças que serão firmadas para a disputa da prefeitura, algumas legendas já estão com as conversas avançadas na busca de candidatos ao Legislativo.
Os tucanos, que estão organizando a composição da chapa em Belo Horizonte, começaram a se reunir há dois meses e pretendem apresentar o máximo de candidatos permitidos pela Justiça Eleitoral. “Nosso objetivo é entrevistar as pessoas com ações sociais e políticas na cidade, que se identificam com as propostas defendidas pelo partido. A partir dessas definições, vamos confirmar nossas chapas, organizando os novos integrantes que se interessam em candidatar e os candidatos natos, que já são vereadores ou que já ocuparam outros cargos e tentarão retornar à Câmara”, explicou Reinaldo Alves, secretário-geral do diretório municipal do PSDB.
Saiba mais
Lei das Eleições 9.504/1997
A legislação eleitoral determina o número máximo de candidatos que os partidos podem inscrever para disputar as eleições. A proporção para os pleitos municipais define que as legendas que se registrarem separadamente, podem inscrever até 150% do número de vagas a preencher na Câmara – no caso de BH, como são 41 cadeiras em disputa eles podem colocar 102 nomes. Já as coligações, podem apresentar no máximo o dobro de candidatos em relação às vagas da Casa – na capital mineira esse número chega a 82.