Jornal Estado de Minas

Dados do Dnit refletem má gestão de recursos

Alice Maciel
Não é à toa que um dos principais gargalos do país são as rodovias federais. Com orçamento de R$ 15,5 bilhões, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pela manutenção, construção e adequação dos trechos viários, só investiu, nos primeiros seis meses do ano, R$ 5,7 bilhões ou 37% do orçamento aprovado. Parte desse dinheiro está incluído no bolo de restos a pagar do governo, que são as dívidas dos anos anteriores. Envolvido em denúncias de superfaturamento e irregularidades na execução de obras viárias nas últimas semanas, o Dnit tem 1.156 contratos de obras sob sua responsabilidade.
Minas Gerais foi o estado que, até o momento, recebeu mais investimentos, de R$ 1,010 bilhão. Entretanto, R$ 2,69 bilhões em obras e serviços rodoviários do estado foram congelados, pelo menos até agosto, pelo ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento (PR-AM) um dia antes de ele deixar o cargo. Entre as intervenções viárias no estado paralisadas estão a duplicação da BR-381 e a revitalização do Anel Rodoviário. Já o Tocantins, mesmo com o maior orçamento autorizado, de R$ 4,6 bilhões, está entre os estados que receberam menos recursos, de R$ 77, 3 milhões (veja quadro).

Os dados do Dnit refletem a má gestão dos recursos do Ministério dos Transportes, que, entre 2002 e 2011 deixou de investir cerca de R$ 47,8 bilhões, apesar dos valores terem sidos aprovados no orçamento da União. Em quase uma década, foram liberados R$ 110,8 bilhões para os investimentos do Ministério dos Transportes, mas até julho deste ano foram usados apenas 57% do montante destinado às obras.

A má conservação das rodovias, além de causar acidentes, pode custar caro para o bolso dos motoristas. De acordo com dados do Dnit, para cada R$ 1 não investido em rodovia, há um aumento de R$ 3 no custo operacional dos veículos.


Quanto cada um levou
Valores executados pelo Dnit em 2011

Estado Valor (R$)


Acre 45,17 milhões
Alagoas 311,1 milhões
Amapá 46,91 milhões
Amazonas 161,09 milhões
Bahia 170,75 milhões
Ceará 78,82 milhões
Distrito Federal 10,13 milhões
Espírito Santo 62,29 milhões
Goiás 227,74 milhões
Maranhão 208,98 milhões
Mato Grosso 276,62 milhões
Mato Grosso do Sul 214,84 milhões
Minas Gerais 1,01 bilhão
Nacional (pesagem, controle de velocidade, emergências) 423,03 milhões
Pará 308,72 milhões
Paraíba 33,98 milhões
Paraná 157,21 milhões
Pernambuco 183,91 milhões
Piauí 52,1 milhões
Rio de Janeiro 272,73 milhões
Rio Grande do Norte 76,23 milhões
Rio Grande do Sul 575,71 milhões
Rondônia 189,68 milhões
Roraima 140,24 milhões
Santa Catarina 347,19 milhões
São Paulo 26,87 milhões
Sergipe 102,07 milhões
Tocantins 77,33 milhões

Total 5,79 bilhões