Jornal Estado de Minas

Servidora do Senado filmada burlando ponto eletrônico diz que estava trabalhando em casa

Luisa Brasil

A servidora do Senado Edilenice Passos, que foi filmada em uma reportagem de TV batendo o ponto eletrônico do Senado e deixando o local, se justificou, nesta segunda-feira, afirmando que estava trabalhando em casa. Em carta publicada pelo Blog do Senado (Leia na íntegra aqui), a servidora afirmou que durante os dias em que foi filmada, estava trabalhando em sua casa, já que o local onde ela trabalha, o Museu do Senado, estava interditado por causa de reformas.

''A certa altura, foi necessário interditar o Museu para a reforma do seu teto. Os computadores foram desligados, as mesas foram cobertas. Quando não foi mais possível trabalhar, recebi a orientação que deveria bater meu ponto e trabalhar em casa. E trabalhei. Na época estava trabalhando em parte do manual do Portal LexML''. Passos afirma que voltou a trabalhar no Museu logo depois da reforma e que reportou as atividades feitas em casa a seu diretor. Ela também diz que trabalha há mais de 28 anos no Senado e que já foi indicada para o recebimento de prêmios por seus próprios colegas.

No documento, a consultora diz que soube que a repórter a procurou no Museu, viu que o local estava em obras e mesmo assim não veiculou esta informação na reportagem. ''Eu pergunto por que essa jornalista não se deu ao trabalho de verificar os fatos e contar a verdade. Eu, por fim, pergunto por que ela ignorou o princípio básico do bom jornalismo, de dar a chance à pessoa envolvida de esclarecer a situação antes de expor sua imagem publicamente, em rede nacional'', afirma a servidora.

Sindicância

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), determinou a criação de uma comissão de sindicância para investigar as denúncias de que servidores da Casa estariam fraudando o registro eletrônico de frequência. O colegiado terá 30 dias para analisar os fatos e definir a punição dos envolvidos. Na última sexta-feira, o Jornal Nacional, da TV Globo, veiculou denúncia de que servidores da Casa registram frequência, por meio do ponto eletrônico, e vão embora, sem cumprir a jornada de trabalho. As denúncias põem em xeque o novo sistema de controle biométrico de frequência, em que cada servidor passa um cartão eletrônico para ter as horas de trabalho computadas e registra a impressão digital.

 

*Com agência Estado