Um dos focos do PMDB em busca de novos filiados é justamente São Paulo. Lá, os petistas fizeram de tudo para afastar Gilberto Kassab do partido. Conseguiram. Mas, de acordo com o presidente da legenda, senador Valdir Raupp (RO), mais de 300 líderes de municípios paulistas deixaram siglas de origem rumo ao partido. “Estamos em uma cruzada, uma campanha nacional. Orientamos o diretório para fazer novas filiações de lideranças com vistas nas eleições de 2012. Não podemos obrigar, mas a preferência é por candidaturas próprias. O partido está sendo bastante procurado”, afirma Raupp.
Nessa cruzada para que o PMDB ganhe autonomia com vistas a valorizar o próprio passe em 2014, Raupp conta com o vice-presidente Michel Temer. O segundo na linha sucessória se colocou à disposição do partido para ajudar nessa atração. Em breve, ele deve se reunir com o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, atualmente filiado ao PSB. “Vamos marcar um encontro, Skaf, Temer e eu. Ele demonstrou interesse de vir para o PMDB”, conta o presidente do partido.
Passado
Em suas reuniões mais fechadas, o PMDB concluiu que só crescer e arregimentar novos filiados não resolverá o problema do partido. É preciso “limpar a biografia” desgastada com as notícias que saem frequentemente envolvendo líderes do partido em escândalos. Nos últimos 10 anos, praticamente todos os senadores que comandaram o partido tiveram de dar explicações, a começar pelo presidente da Casa, José Sarney, e pelo líder da bancada, Renan Calheiros. As pesquisas internas que o partido tem feito para avaliar como anda a imagem revelam que, aliada à importância histórica de ter sido fundamental para o processo de redemocratização, a cara do PMDB hoje é de um agrupamento em busca de cargos em qualquer governo. E a avaliação geral é a de que essa fórmula está com o prazo de validade vencido.
Mas, ao contrário do antigo PFL, que mudou de nome e entregou seu comando à ala jovem, a cúpula do PMDB decidiu ela mesma tentar empreender essa mudança. O partido montou cursos de gestão pública nos municípios para seu novos filiados. Do ponto de vista político, houve uma divisão de tarefas. Enquanto Renan e o líder Henrique Eduardo Alves cuidam da relação com o governo — leia-se cargos — grupos de parlamentares reúnem-se para cuidar de bandeiras que o PMDB possa empunhar no futuro. Como vice-presidente da Câmara, a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) tem feito esse trabalho.
No Senado, um G5 trabalha no mesmo sentido. O grupo é formado por Pedro Simon (RS), Jarbas Vasconcelos (PE), Luiz Henrique (SC), Cacildo Maldaner (SC) e Roberto Requião (PR). A ideia é ampliar essa parcela e construir uma ala mais independente do governo, que possa refrigerar o partido, não para colocar a faca no pescoço de Dilma Rousseff e discutir cargos, mas para pensar o futuro. Recentemente, parte desse grupo foi ao gabinete de Temer. Lá, a conclusão foi uma: ou o PMDB se reinventa e constrói bandeiras e pontes com a população, ou será tragado. E, de partidos em frangalhos, avaliam os peemedebistas, já basta o DEM.
O PMDB quer sair maior das eleições municipais, ampliando o número de prefeituras de 1.160 para 1.200. Também está nos planos dobrar o número de capitais sob o seu comando, das atuais quatro para oito. As câmaras municipais também estão na mira. De acordo com Raupp, o partido tem 8.500 vereadores e pretende chegar ao patamar de 10 mil.
Caravana
No próximo fim de semana, o partido promoverá seminário no Mato Grosso do Sul para discutir o plano de ações para as eleições de 2012. A cúpula percorrerá todos os estados até junho, orientando os diretórios. O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) conta que o partido tem sido muito procurado no estado e que o seminário será oportunidade de apresentar os novos filiados. “O PMDB sempre se fortalece nas urnas. O seminário tem o objetivo de ampliar o partido para 2012. A força do PMDB sempre saiu dos municípios.”
Ao mesmo tempo em que um grupo de peemedebistas trabalha pela reconstrução da imagem do partido, o comando da legenda permanece com o binóculo focando para a distribuição dos cargos do governo federal. Na avaliação dos peemedebistas, a cobrança reflete o desejo de dividir o poder que conquistaram junto com os petistas ao eleger a chapa Dima Rousseff/Michel Temer. O PMDB está indócil com o que considera um descaso.