Jornal Estado de Minas

Debandada pode adiar reforma administrativa na PBH

Juliana Cipriani
Os estragos da reforma administrativa que o prefeito Marcio Lacerda (PSB) apenas começou a fazer na prefeitura já estão indo além do distanciamento de petistas e tucanos, principais aliados e responsáveis por sua eleição há três anos. Agora o PR ameaça romper com a administração do socialista e lançar candidato próprio para engrossar a fila de alternativas na sucessão de 2012. A choradeira entre os partidos da base é geral e, com o clima de insatisfação, a expectativa é de que Lacerda adie ainda mais o desfecho das mudanças.
A redistribuição de cargos prometida com a reforma na PBH não tem agradado os aliados. A Executiva municipal do PR, por exemplo, teria sido excluída das conversas. Os dirigentes entendem que as atuais indicações de filiados que trabalham na prefeitura não são partidárias. “Existem indicações de parlamentares do partido tratadas diretamente com a prefeitura, então, o PR não se sente parte integrante do governo. Esse sentimento no partido cresceu a tal ponto que podemos oferecer candidatura própria à prefeitura”, afirmou o presidente do PR de Belo Horizonte, Leonardo Portela.

Conforme o dirigente, o próprio nome, os dos deputados federais Lincoln Portela e Jaime Martins e o senador Clésio Andrade estariam à disposição para concorrer na sucessão. O PR tem atualmente o comando da Secretaria de Administração Regional Norte, com Harley Carvalho, mas ele é indicado de Clésio. “Os parlamentares existem por causa do partido e não o contrário. O PR de BH não tem nenhum cargo e o partido não foi chamado para conversar”, afirmou Portela.

Indicação não reconhecida pelo partido também é um problema no PT. Os dois grupos internos na legenda entendem que Paulo Bretas, nomeado secretário de Planejamento, Orçamento e Informação não contempla o PT. Ele seria próximo do ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, mas os próprios aliados dele não se sentem representados.

Informações internas do PSB são de que Lacerda vai segurar ainda mais a reforma para continuar as conversas com os partidos. Até mesmo socialistas já começam a avaliar a possibilidade de o prefeito ficar isolado na eleição, já que se PT e PSDB lançarem candidaturas próprias, a tendência é de que outros aliados os acompanhem na debandada.

No PPS, que perdeu a secretária Sílvia Helena – de volta à Câmara Municipal em vaga de suplência aberta em outubro – também está indefinida a participação depois da reforma.