Enquanto o setor turístico viu seu faturamento despencar nos últimos 15 meses Brasil afora, empresários do Vale do Paraopeba chamam atenção pelo saldo positivo. Na contramão da tendência nacional, eles não só onseguiram aumentar o faturamento, como aproveitaram o período para crescer, se valorizar e se reinventar tendo como pano de fundo a riqueza histórica, cultural e natural da região. O grupo formado por 50 empresas dos municípios de Brumadinho, Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Juatuba e Igarapé participou do Projeto para o fortalecimento e competitividade do setor de turismo, feito em parceria com o Circuito Veredas.
Durante quase um ano, três agências de turismo receptivo,15 empresas de alimentos e bebidas, um guia de turismo, 21 meios de hospedagem e 10 produtores associados ao turismo – selecionados por meio de edital público– receberam assistência técnica em diferentes áreas de gestão, além de consultoria em marketing e mídias sociais. O objetivo do projeto – iniciado em março do ano passado, a partir de assinatura de um termo de doação no valor de R$ 500 mil entre a Vale e a Agência de Desenvolvimento Regional do Circuito Turístico do Vale do Paraopeba – é diversificar e fomentar a economia local, mostrando novos horizontes para além da mineração.
O primeiro passo foi fazer um diagnóstico e criar um plano de ação. Foram tratadas questões como práticas de gestão sustentáveis, governança
e comunicação. Os participantes receberam assistência técnica individualizada e consultoria em comunicação on-line e off-line. Foram realizadas oficinas sobre gestão e operação de redes sociais e também apoio para o registro de empresas no Cadastro do Ministério do Turismo (Cadastur) – o sistema de pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor. A queda do faturamento do setor no Brasil durante a pandemia foi de 37,9% e, em Minas, de 36,9%, ressalta a analista da Gerência de Fomento Econômico da Vale, Daniele Teixeira.
“Quando comparamos com empresas que participaram do programa, vemos que elas tiveram aumento de 4% no faturamento”, conta. No quesito postos de trabalho formal e informal, os números também impressionam: a contratação de pessoal teve aumento de 18,6% entre o início e o fim do projeto, no último mês de março. A quantidade de estabelecimentos cadastrados nas plataformas Google Meu Negócio, Booking e Tripadvisor passou de 17 para 30 neste um ano de projeto. No Cadastur, o registro de empreendimentos cresceu 54%. O monitoramento de desempenho de redes sociais mostra ainda que o somatório das 50 empresas envolvidas teve crescimento de 407% no número de seguidores no Instagram. Saíram de 191 mil para 968 mil seguidores.
Redes sociais
Atenção às contas e às redes sociais, aliás, passaram a fazer parte do cotidiano do chef de cozinha Reinaldo Leal, de 40 anos, dono do Casa do Rei Bistrô, em São Joaquim de Bicas. Depois de participar do projeto,
ele implementou o gerenciamento do estoque e gestão financeira. Localizado na casa de Reinaldo, nos arredores do centro da cidade, o bistrô tem 16 mesas espalhadas ao longo da antiga garagem, sala e jardim, decoração que faz sonhar com pedacinhos de Minas Gerais e, claro, a viagem pelos sabores.
“Tratava o restaurante como um hobby. Até a conta bancária era pessoal”, conta. Durante seis meses de consultoria, Reinaldo aplicou dicas simples, mas que deram bons resultados. Nas redes sociais, relata que quase triplicou o número de seguidores de seu negócio. Parcerias com hotéis, guias turísticos e outros restaurantes também foram integrados ao seu dia a dia. Professor de língua portuguesa de escolapública, ele relata que não pensou duas vezes em se inscrever no programa do Circuito Veredas quando viu o anúncio. “Gosto muito de aprender, ler e entender as coisas. Não saber me incomoda demais”, relata. Já sentindo o aumento de turistas, o chef de bistrô espera agora conquistar os visitantes de Igarapé e Brumadinho.
No caminho certo
As ações do último ano mostram que o Projetopara o fortalecimento e competitividade do setor privado do turismo foi no caminho certo. A mudança de perfil dos turistas e a tendência revelada pelo Ministério do Turismo de que passeios e atividades regionais são a bola da vez animam o grupo. “Resultados positivos vêm mostrando o turismo como uma solução para a diversificação socioeconômica não só de Brumadinho, mas dos quatro outros municípios”, afirma a analista da Gerência de Fomento Econômico da Vale, Daniele Teixeira.
Um dos 50 empreendimentos que ajudaram a transformar planos em resultados animadores é o Hotel Fazenda Vale Amanhecer, em Igarapé, na Grande BH. O empreendimento familiar está com as portas abertas há 11 anos, mas há pouco tempo redescobriu e renovou seu modelo de negócio. Para uma das proprietárias, Flavia Alvarenga do Carmo, de 41 anos, a consultoria foi o ponto de partida das mudanças. “As orientações vieram no momento em que mais precisávamos, a pandemia foi um desafio ainda mais duradouro e que não conhecíamos”, diz.
O primeiro ponto, lembra Flávia, foi acreditar na imagem de mercado e no potencial do negócio. “Logo de início, a consultoria nos fez acordar para a questão da gestão e o que deveríamos almejar para os próximos anos”, conta. Passaram de uma empresa em que todos faziam de tudo, com os donos diretamente envolvidos na operação do hotel, para uma gestão mais técnica e efetiva de custos, finanças e pessoas.
Com essas mudanças, os cinco irmãos proprietários não só ficaram mais atentos para as questões de mercado como tiveram um aumento da autoestima. “Estávamos na prateleira de escolhas de destino e não acreditávamos no nosso potencial.” O grupo aumentou as tarifas e passou a mirar um público específico, inclusive com ações de marketing mais direcionadas. Com a consultoria, Flávia viu sua marca se fortalecer e alcançar o melhor mês de julho dos últimos três anos, com taxa de ocupação completa. “Se empresas como a minha tivessem a oportunidade de serem apoiadas por esse tipo de consultoria, o turismo de Minas seria muito beneficiado. Fortaleceria essa cadeia e as pessoas não precisariam