Elias Menezes
Belo Horizonte
“Estes dias, lendo a obra ‘Era da Incerteza’, do economista americano John K. Galbraith, deparei-me com crítica que acredito ser muito válida para o atual debate público brasileiro. Galbraith reclamava do excesso de protagonismo dado pela imprensa e pelos analistas políticos americanos às primárias, convenções partidárias, eleições presidenciais e aos primeiros 100 dias de governo do presidente eleito – prática recorrente nos Estados Unidos dos anos 1970, que ainda resiste neste país e parece ser replicada no Brasil. Urge, neste sentido, darmos o devido protagonismo, bem como a devida cobrança, aos mandatários do Poder Legislativo – deputados e senadores. Afinal, são estes que, além das competências constitucionais de fiscalizar o Poder Executivo e inovar/alterar nosso ordenamento jurídico, são capazes de pautar o debate público em Brasília, a partir da percepção do anseio dominante na população brasileira. Se desejamos que o novo governo, a despeito de suas convicções e dogmas ultrapassados, mantenha os avanços alcançados nos anos recentes (fim do imposto sindical, reforma da previdência, marco legal do saneamento básico etc.) e promova novas conquistas, à luz das demandas socioambientais e da inversão da pirâmide etária brasileira, temos de ter em mente que são os parlamentares os nossos representantes junto ao governo. Eles têm, até por prerrogativas de função, capacidade de encaminhar, acelerar e obstruir os debates legislativos que condicionam a ação do Executivo Federal. Que neste ano de 2023 voltemos mais as nossas atenções ao bom cumprimento dos mandatos legislativos no Congresso Nacional. Só assim caminharemos para uma reconfiguração partidária que de fato represente os cidadãos, alcançaremos certo nível de estabilidade institucional e avanço econômico e social permanente no nosso país.”