Elias Menezes
Belo Horizonte
“A deflagração do conflito entre Rússia e Ucrânia representa um marco simbólico para a recente crise das democracias liberais. A debilidade desses regimes se fez evidente pela ascensão de líderes populistas autoritários, tais como Donald Trump (EUA), Erdogan (Turquia), Orban (Hungria) e Jair Bolsonaro (Brasil); por movimentos religiosos extremistas (vide Estado Islâmico); e pelo ressurgimento de agrupamentos supremacistas (vide neonazismo). Aos meus 23 anos, tornam-se nítidos dois daqueles que serão os maiores desafios de minha geração: a escalada política, econômica e militar de nações regidas por governos tirânicos, e o desafio de harmonização entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. As soluções de ambos os problemas demandarão liderança política nacional e atuação multilateral na política externa. No entanto, nosso país caminha para o isolamento geopolítico e para uma eleição presidencial polarizada entre um capitão reformado ilhado em seus devaneios negacionistas e um ex-presidente cuja concepção de mundo remete à ordem anterior à queda do muro de Berlim – ambos devendo boas explicações à Justiça. O futuro à vista não nos é nada animador.”