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Estado de Minas PROJETO

Artista critica título de matéria


15/01/2021 04:00 - atualizado 14/01/2021 21:51

Yara de Novaes
Belo Horizonte

“Tal como foi publicada neste sábado, 9 de janeiro de 2021, no jornal Estado de Minas, a matéria sobre a peça-jogo (Des)Memória deixou indignados todos nós que trabalhamos nesse projeto, que deseja, antes de qualquer coisa, discutir e se posicionar de maneira decidida acerca do racismo estrutural brasileiro. ‘Preto sai, branco fica’, título da matéria, ofende e corrompe a ideia do projeto. (Des)Memória é resultado de uma pesquisa criteriosa que reverencia o povo negro, na medida em que explicita e denuncia as engrenagens de um racismo genocida instalado há séculos em nosso país. Por isso, é necessário que se diga, a propósito do título do Estado de Minas, que a ideia de estabelecer analogia ou metáfora com o filme de Adirley Queirós é imprópria. Totalmente inadequada, porque vem deslocada dessa obra de Adirley, que também é um grito feroz contra o racismo. Sabe-se que jornalismo é atividade em que a exatidão das palavras deve ser valorizada e buscada. Não que seja proibido ser criativo! Longe disso. Contudo, as metáforas estabelecidas em texto cujo principal objetivo é informar devem ser discutidas e desenvolvidas, sob pena de conduzirem a interpretações ambíguas, capazes de colocar em risco o entendimento daquilo que se divulga. Assim, quando o Estado de Minas ‘brinca’ com o título de um filme (Branco sai, preto fica) para falar de outra obra artística [(Des)Memória], é necessário também que detalhe seus argumentos de maneira responsável, a fim de que as ideias possam ser bem compreendidas. O jornal não faz isso e, nesse sentido, colabora não apenas para a subversão do título do filme, mas também para o entendimento precário de uma obra nova, inédita e em processo de construção. Ao criar (Des)Memória, partimos de um enredo particular – a história de minha própria bisavó – e nos deparamos com um racismo estrutural que fere, corrompe e mata. Fizemos isso sempre com todo o cuidado na abordagem desse tema tão importante para a construção de um mundo mais igual, justo e digno. É necessário, portanto, repudiar qualquer interpretação deste trabalho que não seja realizada a partir de critérios semelhantes, com seriedade, inteligência e respeito.”
 

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