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Estado de Minas CIDADANIA

Carnaval proporciona identidade das pessoas


postado em 23/02/2020 04:00

João Baptista Herkenhoff
Vitória  

“Na presença entusiasmada da gente mais simples do povo, em escolas de samba e blocos de carnaval, vejo, entre outros aspectos, a profunda busca de identidade, tão forte na alma humana. Quem pertence a uma escola de samba tem endereço, raiz, deixa de ser alguém sem lenço e sem documento. Vibro com as escolas, sim, mas vibro ainda mais com o rosto feliz dos sambistas, esses rostos me enternecem. A sede humana de identidade e reconhecimento me relembra antigas andanças pelo interior do estado, como juiz de Direito. Surpreendi centenas de casos de pessoas sem registro civil. Numa situação de completa marginalização econômica e social – inacreditável para quem não foi testemunha –, brasileiros, irmãos nossos, nem nome civil possuíam. O primeiro 'movimento pela cidadania ampla, que tive a honra de inspirar, como juiz, ocorreu a partir de 1967, em São José do Calçado. A comunidade e o juiz de Direito: juntos, promovemos milhares de registros civis, correção de prenomes grafados erroneamente, emissão de carteira de trabalho em favor de pessoas que trabalhavam sem carteira etc. Houve uma intensa participação de estudantes no 'movimento pela cidadania ampla'. Foi um período de profícua vida cidadã dentro dos muros da pequenina, mas pujante, comunidade interiorana, contrastando com uma época de obscurecimento da cidadania na vida nacional. Encontrar a possibilidade de ser 'pessoa' numa escola de samba, tornar-se juridicamente 'pessoa' pelo registro civil leva-me a uma outra reflexão, qual seja, a busca de ser 'pessoa', de ser feliz, nas praias apinhadas de gente, no balanço das ondas, no burburinho das vozes, no murmúrio do mar. Ser 'pessoa', nesse caso, é soltar-se, relaxar, aliviar tensões. Todos os entraves que obstaculem a vivência dessa dimensão do ser 'pessoa', como privatizar praias, merecem nosso repúdio.”

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