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Estado de Minas POLÍTICA

Comentário sobre o Brasil e a ONU


postado em 15/02/2020 04:00

João Baptista Herkenhoff
Vitória  

“Declarações estapafúrdias do presidente da República já se tornaram tão frequentes que não causam espanto. Entretanto, algumas declarações, igualmente estapafúrdias, devem ser repudiadas, de modo que o silêncio não seja interpretado como se fosse complacência. O presidente expressou sua opinião de que a ONU não serve para nada. Segundo ele, é um local de reunião de comunistas. Por essa razão, o Brasil deve retirar-se dessa instituição. Esse propósito do presidente é impossível de ser realizado, pois exigiria aprovação do Congresso e o repúdio da opinião pública seria veemente, impedindo o desiderato. O Brasil é membro fundador da ONU. Sua assembleia-geral foi presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha. A ONU é a principal fiadora da Declaração Universal dos Direitos Humanos, declaração que também não conta com a simpatia do nosso atual presidente. Os homens nascem livres, não nascem escravos.  A liberdade é traço que caracteriza e define a condição humana. Os homens nascem iguais. Não há privilégios de nascimento. Em outras palavras, o que se estabelece é a igualdade universal dos seres humanos. Diz-se depois que todos os homens são dotados de razão e consciência. A razão, a consciência, não é privilégio de uma classe, estamento ou grupo de pessoas. Em razão de sua humanidade, toda pessoa é capaz de pensar e decidir. Não há iluminados, predestinados ou escolhidos em nome de uma pretensa e falsa ‘iluminação’. Pessoas ou grupos de pessoas pretenderam, no correr da história e ainda pretendem, no mundo contemporâneo, usufruir de título para pensar, julgar e decidir pelos outros. Deve ser banida toda ideia de superioridade, pois tem como objetivo dominar e oprimir pessoas, classes, raças ou povos. Há pessoas que não são dotadas de razão ou têm a razão bloqueada por doença, em grau maior ou menor. Essa condição de carência ou de déficit intelectual pode ser de nascença ou sobrevir no curso da existência. Essas pessoas têm a mesma dignidade das demais e, se quisermos ser ainda mais exatos, diremos que nessas pessoas a dignidade humana é realçada. Elas têm direito à educação especial, sagrado respeito e profundo carinho. Diante de tudo isso, penso que não há argumento que deva ser apresentado ao presidente. Será melhor o silêncio de indignação.”


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