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Estado de Minas INOCENTE

Jovem desabafa aliviado no final de investigação


postado em 23/10/2019 04:00 / atualizado em 22/10/2019 22:05

Fábio Moreira da Silva

Belo Horizonte

 

"'Fui do inferno ao céu'. Assim desabafou, aliviado, o auxiliar de educação física Hudson Nunes de Freitas, de 22 anos, após a Polícia Civil mineira concluir que não procedem as denúncias contra ele, as quais o apontavam como autor de abuso sexual contra crianças em um colégio de Belo Horizonte. De acordo com o Estado de Minas, editoria Gerais, em 18/10/2019, em matéria intitulada 'Inquérito inocenta estagiário e descarta abuso em colégio', foram duas semanas de investigação até a conclusão do caso pelas autoridades policiais, tempo suficiente para que, segundo o até então acusado, se 'sentisse chegar ao fundo do poço'. Para ele, foram longos os dias de investigação e dúvidas que o tornaram protagonista de manchetes de jornais e televisão que poderiam  tê-lo levado a um verdadeiro linchamento social e moral diante da sociedade. Casos em que suspeitos conseguem provar a inocência acontecem e nos cabe, sempre, o questionamento acerca da exposição deles. Até que ponto inquéritos assim, em que suspeitos são expostos na mídia, poderão prejudicar a vida de acusados inocentes ao longo do processo de investigação? Vale lembrarmos de um dos casos mais emblemáticos da história, não muito distante, a Escola Infantil de Base, em São Paulo, em 1994. Em março daquele ano, o casal proprietário dessa escola, e mais seis pessoas ligadas à instituição, foram acusados de abusar sexualmente de crianças de 4 anos durante o período das aulas. Nas apurações, em uma combinação de erros que envolveram o excesso policial na condução das investigações e a precipitação na exposição do processo à imprensa, além de uma produção midiática condenando os acusados antes mesmo do fechamento do caso, produziram um dos maiores abusos de imprensa e de autoridades responsáveis por investigações. Com o processo arquivado por falta de provas, o final para os donos da Escola de Base foi bem diferente ao do professor de educação física Hudson. Na época, a imprensa produziu manchetes sensacionalistas que repercutiram em todo o país, levando a escola ao apedrejamento e a destruição dela por parte da sociedade. Aos proprietários da escolinha infantil restou o linchamento moral e social em consequência da tamanha exposição de uma condenação prévia e injusta. Ora, em tempos de informações cada vez mais dinâmicas e velozes, é preciso todo o cuidado na exposição de casos em investigação, como os citados acima. O zelo nas apurações por parte das autoridades, a ética dos meios de comunicações na divulgação de casos em investigação, assim como o recebimento de notícias com análise crítica pela sociedade são fatores fundamentais para que não se condenem investigados antes do caso apurado. São elementos de responsabilidade e ética que precisam ser discutidos, os quais vão muito além da presunção de inocência prevista em lei."


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