Márcio Santos de Santana
Professor de história
No mundo contemporâneo, as instituições escolares são responsáveis pela socialização democrática das novas gerações – isto é, crianças, adolescentes e jovens. Exercendo o papel social de estudantes, esses novos atores – os “novos participantes” de Karl Mannheim ou os “recém-chegado” de Hannah Arendt – são inseridos nos conhecimentos artístico, científico e filosófico, tidos como básicos para o gozo da vida social em sua plenitude.
Em uma cultura política plenamente democrática, os cidadãos gozam de relativo grau de liberdade de criação e expressão de ideias, respeitados evidentemente os limites estabelecidos pela legislação vigente. O debate educacional gira em torno de temas como “aprender a aprender”, “educação para a vida”, etc. O modelo de ensino que se vai legitimando está pautado em metodologias ativas, onde os estudantes são os protagonistas do processo.
O papel de trabalhador dos sujeitos está sobrevalorizado na atual conjuntura histórica, inegavelmente marcada por fenômenos como a globalização econômica, cuja dinâmica altera significativamente a vida cotidiana de todos. Nesse sentido, nestes ditos tempos pós-modernos, a dinâmica social seria marcada, sobretudo, pela fluidez nas relações sociais, aceleração do tempo histórico, assim como pela rápida obsolescência de bens e serviços.
Por conseguinte, tendo em vista a rápida transformação estrutural da sociedade, haveria a necessidade de reorganização institucional constante. No campo educacional detecta-se um ciclo de readaptação permanente às novas condições sociais.
Logo, entre a reforma e a revolução, tais instituições fizeram uma escolha singular: a microrreforma. A revolução será o resultado dessas reformas pontuais, planejadas e executadas estrategicamente.
Tanto a burocracia estatal quanto setores da sociedade civil atribuem às instituições educacionais o papel de formadoras de mão-de-obra qualificada para garantir o abastecimento do mercado de trabalho. Existe, portanto, algum consenso no sentido de atender às pressões do mercado. O novo profissional tem um perfil de formação bem delineado, ou seja, ser uma pessoa apta à liderança, competitiva, proativa, adaptável, autônoma e crítica.
Em suma, o profissional ideal deve ser dotado de uma nova configuração: um sujeito qualificado para a vida, inserido em uma sociedade dinâmica, promotora de constantes transformações. Por conseguinte, não resta dúvidas de que somente os sistemas de ensino sustentados em metodologias ativas terão condições de atuar com algum sucesso na formação das novas gerações, nos quais os estudantes são protagonistas na construção do conhecimento.