Emerson Lima
Fundador e CEO da Sauter Digital
Cibersegurança pode ser considerado um conjunto de estratégias cibernéticas que são realizadas para proteger sistemas, redes ou dispositivos contra qualquer ataque que possa ser realizado em uma organização. Neste sentido, tenho recebido uma pergunta constante: como o Brasil está em relação ao resto do mundo?
Segundo dados do Índice de Defesa Cibernética do MIT Technology Review Insights, o Brasil está em posição desprivilegiada quando o assunto é segurança de dados. Após anos de uma pandemia que forçou interações cada vez mais digitais, o Brasil ficou entre os cinco países com progresso mais lento e desigual na criação de um ambiente de defesa cibernética. Lembrando que apenas Turquia e Indonésia tiveram uma classificação inferior.
Fato é que o período pandêmico e o avanço das práticas digitais foram alguns dos motivos que impulsionaram o crescimento nos crimes cibernéticos nos últimos anos. Contudo, apesar da crescente quantidade de tempo e dinheiro que empresas e governos têm investido no setor, a imaginação dos hackers em questões como engenharia e eficácia se desenvolve de forma semelhante.
Ainda segundo o estudo, os países do G20 são os que mais investem em defesas contra o problema. E apesar de o Brasil se encontrar no 18º lugar, vem enriquecendo, aos poucos, suas práticas no que diz respeito à segurança cibernética. A exemplo das ações educativas sobre como evitar cair em golpes de links falsos que são enviados para as vítimas em busca de roubar dados pessoais e bancários, o famoso phishing.
As razões pelas quais estes ataques são realizados são múltiplas e estão relacionadas a vários interesses, como motivações econômicas ou políticas. Logo, os prejuízos são inúmeros e engana-se quem acredita que os danos causados à empresa vítima de uma invasão ou ataque sejam puramente financeiros. Afinal, além da imagem e reputação da empresa, há consequências seríssimas para os clientes.
Claramente, alguns pontos ainda podem ser melhorados no Brasil, como a falta de comunicação entre os órgãos envolvidos com a cibersegurança, em especial, a integração entre instituições públicas e privadas, uma vez que, ao contrário de países como Estados Unidos, onde a internet e o ciberespaço são considerados um dos domínios de guerra, no Brasil há pouca integração entre forças militares, órgãos de inteligência e governamentais e empresas. Ou seja, infelizmente, o país está longe de uma soberania digital.
Portanto, passou da hora de a população rever o comportamento de segurança no mundo digital, adotando o mesmo cuidado que possui fora dele e, consequentemente, das organizações enxergarem o tema como um caminho para garantir o bem-estar do negócio e não apenas como um custo adicional. Nesse sentido, não basta seguir um modelo isolado, o Brasil requer mudanças significativas no atual molde de segurança, para que assim haja prevenção, detecção e, sobretudo, resposta em tempo real aos ataques.