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Os católicos liberais e a crise política

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Jose Renato de Castro Cesar
Da Academia Mineira de Hagiologia. Doutorando em ciências ambientais e conservação pela UFRJ


Acredite-me, leitor: ainda existem católicos liberais frequentando as igrejas e procurando honrar a sua fé, a despeito das perseguições éticas e morais das quais são reféns. A sociedade é cada dia mais farisaica e protestante e as razões dessas perseguições são históricas. Já tratei da questão ao rever as memórias da Revolução de 1842 (Revista IHG-MG, Vol. 37, Agosto/2012, pág. 116). Hoje, tratarei da educação e autoridade, para mostrar que o povo do Brasil precisa se desvencilhar de falsos líderes políticos que jogam o futuro da Nação nas mãos de empresários criminosos e de falsos empreendedores.



Lembremo-nos das sábias palavras catequéticas do padre Antonio Iraldo Alves de Brito (SSP), ao nos mostrar que a vocação do verdadeiro católico é ocupar, sempre, “os últimos lugares”, especialmente numa sociedade tão maniqueísta, egoísta e vaidosa, onde o must é “vencer na vida” e aparecer; ser notícia, mesmo que devido a escândalos morais e éticos. Padre Iraldo nos mostra que o sentido de vencer na vida é se desenvolver como pessoa de fé, respeitando o semelhante e “cultivando uma humildade verdadeira”.

Ao estudar Lamberto Borghi (1951), que tratou da educação e da autoridade na Itália moderna, percebo que alguns líderes políticos e econômicos brasileiros cometem, propositalmente, os mesmos erros morais e éticos das gerações jacobinas e girondinas  de 1842, se dizendo democratas, monarquistas e republicanos, mas agindo, apenas, como déspotas, com a finalidade de se locupletarem com o dinheiro público e de se imiscuírem nas benesses do poder social, diante de uma sociedade que não cultivou nem a humildade sadia e muito menos a sabedoria necessária para distinguir as falsas controvérsias científicas e as distopias nos discursos políticos e econômicos. O “pensamento educativo” desenvolvido historicamente no Brasil mostra que nosso atraso é estrutural (econômico e sociocultural), político e moral. Afinal, nossa sociedade concebeu, desde os primórdios, os seus institutos escolásticos em correntes filosóficas e religiosas que antepõem o cristianismo ao protestantismo, ao judaísmo e ao indianismo. 

De fato, mesmo me dirigindo aos que leem jornais, e que poderiam compreender melhor o assunto, é um fato sociológico que muitos leitores nem sequer conhecem termos aqui apresentados e quase nada sabem da história do pensamento político moderno. Quanto à formação humanista dos professores das escolas públicas elementares, secundárias e superiores, infelizmente, a situação no Brasil é desastrosa e a culpa é (sempre) das elites conservadoras, que, desde 1842, se dizendo democratas, confundem todos para impor à Nação os seus interesses financeiros. E o fazem usando até mesmo os políticos que se dizem “liberais”, mas que são, no fundo de sua alma, carniceiros autoritários, fascistas e ultraconservadores. Até aí, nada de novo no front. Como diria il Borghi, na sua cara Itália, entre 1925 e 1943, “il fascismo fondava la sua dottrina e la sua prassi sul concetto della sottomissione completa dell´individuo allo Stato” (1951:312). Não podemos, portanto, permitir que tudo isso volte a ocorrer aqui. E, para impedir isso, é preciso saber quem são os fascistas, os comunistas, os socialistas, os liberais e os conservadores. E por que não se assumem e nem explicitam seus programas de governo?

A única exceção parece ser Simone Tebet; uma verdadeira liberal que resumiu em poucas e boas palavras o seu plano de governo para a nação brasileira: educação e respeito. Quanto à autoridade, cabe ao povo colocar no lugar certo os seus governantes e regular suas falas e modos. Antes que tenhamos que jurar lealdade aos ratos.