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Não são dois mundos opostos


06/08/2022 04:00

Laiz Soares
Formada em Relações Internacionais pela PUC Minas e pela ESSCA, na França
 
Ser um liberal progressista em um país rachado pelo ódio e divisão: mais alguém aí?

Não existe só esquerda e direita, comunista ou liberal. Há quem defenda a convivência pacífica entre um estado eficiente, fiscalmente responsável e também comprometido com o seu papel de garantir saúde, educação e segurança e corrigir as distorções que o mercado gera, como a desigualdade. É possível defender um estado que não é inchado e moroso, que faz um bom uso do recurso público e entrega resultados para os contribuintes, que respeita a propriedade privada e as liberdades individuais e, ao mesmo tempo, compreender que as desigualdades são profundas e precisam ser corrigidas por políticas públicas sociais inclusivas.
 

Não existe só esquerda e direita, comunista ou liberal. Há quem defenda a convivência pacífica entre um estado eficiente, fiscalmente responsável e também comprometido com o seu papel de garantir saúde, educação e segurança

 
Não, o mercado não resolve tudo sozinho, apesar de ele ser uma força incrível de transformação cuja lógica de funcionamento gera inovações que melhoram, sim, a vida das pessoas, mas não de todas, pois deixa muitas pessoas para trás.

Quem pensa assim hoje na política brasileira padece de uma solidão e de uma incompreensão sem tamanho. O debate está raso, limitado, fechado. Me sinto uma estranha no ninho. Enxergo a eficiência da agenda liberal e do Estado no tamanho necessário, historicamente atribuída ao pensamento de direita, como o melhor caminho para gestão pública eficiente e baseada em resultados.

Ao mesmo tempo, o olhar social, inclusivo e de redução de desigualdades, compreendendo questões estruturais graves do Brasil como a desigualdade social, sempre atribuído à esquerda, é prioridade absoluta se quisermos colocar o Brasil em outro nível de desenvolvimento econômico e social. Também defendo e valorizo profundamente a diversidade, as liberdades individuais, os direitos humanos.

Todos esses valores não podem estar concentrados só de um lado ou de outro, eles precisam estar do lado de quem quer fazer bem para o país, que deseja ver a população brasileira sendo beneficiada de maneira igual, vivendo melhor, tendo dignidade e oportunidade para pensar, ser, empreender, agir, participar da vida pública, inovar, criar uma família, seja ela de qual configuração for, estudar, trabalhar e viver uma vida plena cheia de possibilidades. Não é um jogo de soma zero, onde para um ganhar outro tem que perder. Se a gente tira todo mundo da pobreza, todo mundo ganha! Se todo mundo tem uma educação de qualidade, todo mundo ganha! A segurança melhora, a qualidade do capital humano melhora, o país prospera mais. Todo mundo está perdendo do jeito que está hoje, estamos todos no mesmo barco.

Durante a pandemia, vivemos um momento não só histórico pela crise sanitária que estávamos atravessando, mas por ver a representação máxima brasileira discordar dos benefícios que a ciência trouxe com os avanços da vacina. Vimos vidas sendo cessadas, pessoas ficando doentes e pagando um alto preço por conta de um discurso político sem fundamento e embasado em questões políticas, interesses eleitorais, crenças pessoais e na disseminação do ódio.

Será que é isso mesmo que queremos continuar a ver?

Confesso que não quero mais ter que assistir as cenas tão infelizes que vivi nesses últimos anos. Pobreza, miséria, violência, mortes que poderiam ter sido evitadas. Um país onde tudo é difícil: nascer, crescer, estudar, empreender, trabalhar ou gerar empregos. Sobreviver. 33 milhões passando fome, 12 milhões de desempregado. Isso não tem ideologia nem lado, com isso se preocupa quem tem humanidade.

Não quero estar na política apenas para defender um lado da sociedade, um lado dos interesses, um lado da torcida. Quero trabalhar por todos, pelo interesse coletivo, pelos interesses difusos de quem precisa de emprego, quem tem fome, quem tem pressa, e também de quem emprega, gera renda, gera oportunidades. Cada um tem seus desafios, e ouvir todos os lados não anula nem diminui a dor de ninguém, só torna mais fácil compreender os problemas e resolvê-los.

Quero uma economia mais inclusiva e competitiva, que promova o empreendedorismo e a inovação e insira o Brasil nas cadeias globais de valor. Por isso, sei o quanto é necessário investimento em educação, ciência, tecnologia e infraestrutura. Essas quatro coisas são essenciais para fazer o país subir em outro patamar, mas ainda existem políticos que não acreditam no potencial desses setores ou não priorizam investir no que de fato é estrutural, porque muitas vezes o resultado só vem no longo prazo e fica difícil capitalizar para as próximas eleições.

Não posso estar ao lado de quem não acredita em uma sociedade diversa, plural e livre. Para vivermos bem é preciso proteger os diretos das mulheres, dos negros, dos LGBTQIA+,  dos indígenas e das pessoas com deficiência e compreender os desafios e barreiras que estas pessoas enfrentam, que não as colocam em condições de igualdade de disputa com quem não passa por isso.

O Brasil só será um lugar mais próspero e justo quando oferecer dignidade e igualdade de acesso a oportunidades a todas e todos os brasileiros. Quando quebrar privilégios na política e no alto escalão do serviço público. Quando curar as feridas de um passado aristocrático, escravocrata e patriarcal. Sigo lutando por uma gestão pública mais eficiente, que garanta direitos básicos a todos, sem exceção, e que faça valer o caro imposto pago pelo contribuinte. 

Por fim, desejo, como a maioria, um país que saia da lama da corrupção onde está afogado. Não posso concordar com pessoas que ainda lutam por um cargo apenas para ter privilégios, acumular poder, enriquecer de forma ilícita, se utilizar da política com um fim em si mesmo para seus interesses pessoais e não um meio para atender aos interesses coletivos.

Acredito em uma sociedade cuja ética deve estar refletida não apenas nas grandes decisões do governo, mas também nas pequenas ações de seu dia a dia. Agora, se ainda quer dividir todas essas questões em apenas dois lados, me desculpe, mas não é disso que o meu país, nem eu, nem você e nem ninguém precisa. 


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