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A renúncia de Boris Johnson: um recado aos políticos

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José Benedito Caparros Junior
Mestre em educação e novas tecnologias e coordenador da pós-graduação nas áreas de comércio exterior e relações internacionais na Uninter

Julho começa com uma notícia impactante para as relações internacionais, em especial para a geopolítica: Boris Johnson renuncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, numa conjuntura internacional complexa, instável e muito delicada. Acontecimentos como o Brexit, a pandemia da COVID-19, a invasão russa à Ucrânia e seus respectivos reflexos sobre a econômica internacional são apenas alguns dos componentes que estruturam o pano de fundo de sua trágica trajetória política. Mas, além disso, Johnson também é dono de falas e atitudes polêmicas, importante fator para o desenrolar desta história.





Nascido na cidade de Nova York, em 1964, Boris Johnson e sua família se mudaram para o Reino Unido quando ele tinha apenas 5 anos de idade. Durante sua formação, o político britânico teve acesso a instituições de ensino renomadas internacionalmente, como Etton College, escola britânica privada e centenária, e a Universidade de Oxford, tradicionalmente frequentada pela classe mais abastada do Reino Unido.

Johnson iniciou sua carreira como jornalista, trabalhando para o The Times (1987) e o Daily Telegraph, em 1989. Posteriormente, tornou-se político, ocupando cargos como vice-presidente do Partido Conservador (2004), prefeito de Londres (2008), secretário de Estado para Assuntos Externos e da Commonwealth (2016) e, por fim, líder do Partido Conservador e designado primeiro-ministro do Reino Unido (2019).

No entanto, esses privilégios e currículo não foram garantias de competência e integridade profissional. Além de seu penteado, que se tornou uma de suas marcas registradas, o político é conhecido por se envolver em escândalos.





Em seu período no The Times, Boris Johnson foi demitido por fake news, inventando uma citação e a atribuindo a sir Colin Lucas, renomado historiador de Oxford. Em 2021, apoiou Owen Paterson, político do Partido Conservador, que havia violado regras sobre o funcionamento de lobby no Reino Unido. No mesmo ano, recebeu uma duvidosa doação financeira no valor de R$ 1,5 milhão para reformar o imóvel de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro britânico. Também em Downing Street, foram organizadas 16 festas entre 2020 e 2021, anos em que as regras impostas para o enfrentamento da COVID-19  eram severas. Já em 2022, Boris Johnson nomeou Chris Pincher para um cargo no governo, mesmo sabendo que ele havia se envolvido em escândalos de assédio sexual.

A reflexão que cabe aqui é a seguinte: o comportamento de políticos é importante para os governos e suas gestões. A sociedade está cada vez menos tolerante aos maus comportamentos em cargos públicos, já que os governantes são representantes do povo, de seus costumes e valores. Espera-se que o caso Boris Johnson, devido ao seu alcance mundial, sirva como recado explícito a todos os políticos do mundo, reforçando a ideia de que os efeitos de atitudes duvidosas não devem passar despercebidos e, principalmente, impunes.